Meta censura vídeo que expõe meritocracia de Flávio

Teaser de "Flavinho de Papai" sai do ar; veja o mini documentário aqui na Frente Livre

Por Frente Livre
Meta censura vídeo
Meta censura vídeo que expõe Flávio Bolsonaro. A "regra de IA" só atinge quem denuncia o candidato. Imagem: Reprodução

A Meta removeu do Instagram o teaser de “Flavinho de Papai”, episódio da série jornalística “Revelando” dedicado à carreira do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. O episódio completo seguia disponível no YouTube. A censura, porém, não fica no ar — ela vive aqui: na Frente Livre, o leitor assiste ao que a maior plataforma de redes sociais do mundo decide esconder.

 

>> O documentário sobre o Flavinho do Papai, produzido na série Revelando Brasil, está disponível ao fim deste texto.

 

A “regra” que só atinge um lado

O aviso da plataforma afirma que o conteúdo ficou indisponível no Brasil por restrições ligadas à “proibição de conteúdo eleitoral com inteligência artificial”. Houve ainda relatos de bloqueio do teaser para usuários em outros países. A empresa informou que restringe conteúdos gerados ou alterados por inteligência artificial nas 72 horas anteriores à votação, no dia da eleição e no dia seguinte — e que as publicações voltam a ficar visíveis após o prazo definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A desculpa desmorona na leitura do episódio censurado. “Flavinho de Papai” não é montagem sintética: é jornalismo. A produção disse que o projeto reúne jornalistas, pesquisadores e checadores de fatos e usa recortes de veículos de comunicação e decisões judiciais amplamente noticiadas. “Nada que afete a veracidade e a apuração dos fatos descritos no episódio”, afirmou a equipe à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. No episódio, o apresentador MC Cabelinho compara a própria carreira profissional — construída do zero — à de Flávio, que ocupa cargos públicos desde os 19 anos. O cantor também critica as propostas de redução de gastos em saúde e educação e o discurso de mérito individual do candidato.

O padrão: sempre os mesmos alvos

Esta é a terceira investida contra a mesma série. Em setembro, a Meta retirou temporariamente o perfil de “Revelando” após a publicação de um episódio apresentado por Fábio Porchat sobre as relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha, Flávio e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A conta foi restaurada horas depois, com pedido de desculpas. Na ocasião, Porchat classificou a remoção como censura e disse que o conteúdo reunia fatos reportados pela imprensa. Juliette Freire, apresentadora de outro episódio sobre Flávio, negou ter recebido dinheiro público para participar da série, financiada com recursos privados.

O histórico entra no dossiê que a campanha de Lula já levou ao TSE: a mesma Meta reconheceu ter desativado indevidamente a conta de anúncios da campanha, errou a contagem de visualizações dos Reels e impulsionou artificialmente perfis cabo eleitorais de Flávio, a exemplo do deputado Nikolas Ferreira. Sua inteligência artificial bloqueou imagens com o nome de Lula e gerou com o de Flávio. Agora, na reta final, censura o jornalismo que expõe o candidato — sob o rótulo de “regra eleitoral”.

A pergunta que não sai: como uma “regra” contra desinformação censura exatamente o jornalismo checado e poupa o candidato que ela ajuda a eleger? O leitor decide assistindo. E assiste aqui.

 

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