A Meta derrubou na manhã desta quarta-feira (23) o perfil oficial da série de reportagens “Revelando” no Instagram e, depois da pressão da opinião pública, teve que ressuscitar a conta Revelando Brasil no início da tarde, no mesmo dia. A página saiu do ar justamente quando o episódio “Grandes Igrejas, Master Negócios”, apresentado por Fábio Porchat, explodia nas redes, e voltou horas depois, sem que a plataforma explicasse o que teria violado.
O vídeo que incomoda a big tech
O episódio reconstitui a teia do escândalo do Banco Master: o casamento de Natália Vorcaro, irmã do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com Fabiano Zettel, celebrado pelo pastor André Valadão, e as conexões entre a Igreja Batista da Lagoinha, Flávio Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O vídeo chegou ao topo do ranking “Hype” do YouTube, com mais de 2,7 milhões de visualizações, e o teaser no Instagram acumulava 6 milhões de views quando a conta caiu.
“Hoje de manhã, a página do Instagram do Revelando foi derrubada pela Meta sem nenhuma justificativa”, reagiu Porchat. Em nota, a plataforma confirmou a restauração: “Após uma revisão interna, restauramos a conta mencionada pela reportagem. Pedimos desculpas pela inconveniência.” A desculpa não diz qual regra teria sido violada. O apresentador rebateu que o projeto não produzia campanha política nem opinião, apenas fatos já publicados pela imprensa.
A censura na reta final
A derrubada não é caso isolado. Em menos de 24 horas, conteúdo sobre o escândalo saiu do ar tanto pela ação da Meta quanto por decisão judicial. A Frente Livre já documentou o padrão: em julho, a plataforma admitiu, em notificação, que a conta do site deixou de aparecer para quem não segue o perfil, o chamado shadow ban. O roteiro se repete: derrubam, citam “padrões da comunidade” ou “inconveniência”, e corrigem o “erro” sem reconhecer censura.
“Depois de muita pressão, a página voltou pro ar, mas a gente não sabe por quanto tempo. E claro que depois de várias horas fora do ar, os vídeos perderam o engajamento”, disse Porchat.
O estrago já estava feito: horas de ausência custaram alcance ao vídeo que expõe a maior teia de corrupção financeira do país na véspera da eleição.
Ninguém derruba um perfil com milhões de visualizações por mero inconveniente técnico. A Meta só recua com pressão, e o prejuízo fica para quem denuncia. Na reta final da campanha, censura sobre o Master é silêncio cúmplice.
