Juiz bolsonarista mexe nas seções do 2º turno

ATENÇÃO: Os maiores colégios eleitorais do país, SP, MG, RJ e BA, concentram alterações

Por Frente Livre
mudança de seção eleitoral
Mudanças aconteceram principalmente nos quatro maiores colégios eleitorais do Brasil, SP, MG, RJ e BA. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterou o local de votação de 4.352 seções eleitorais para o segundo turno das eleições 2026, marcado para o próximo domingo (25), das 8h às 17h. A mudança representa 0,87% das 499.248 seções instaladas no país — e, como sempre, cabe ao eleitor se informar, correr atrás e rezar para não perder o voto. Confirme no seu 👉 e-título o local de sua seção eleitoral.

As alterações foram decididas pelas zonas eleitorais e, oficialmente, decorrem de “questões de segurança, infraestrutura e acessibilidade”: chuvas fortes, escolas em reforma, problemas no fornecimento de energia elétrica e prédios sem condições de acessibilidade. No primeiro turno, 1.904 urnas foram substituídas — 0,35% — e nenhuma votação manual foi necessária.

Os números e os estados

São Paulo concentra o maior número de mudanças, com 982 seções transferidas, seguida por Minas Gerais (514), Rio de Janeiro (431) e Bahia (312). Nesta etapa, os eleitores de todo o país votam apenas para presidente; Distrito Federal e cinco estados — Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins — também escolhem governador.

Para conferir o endereço atualizado, o eleitor deve usar o aplicativo e-Título ou o portal do TSE, no menu autoatendimento eleitoral. A consulta é gratuita e leva segundos — os poucos segundos que separam o voto do empecilho.

O juiz da eleição e o Master

Nesta eleição, o comando da Justiça Eleitoral tem nome e sobrenome: Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro em 2020 e hoje presidente do TSE. É o mesmo magistrado cujo filho, o advogado Kevin de Carvalho Marques, aparece nas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, o banqueiro do Banco Master que, entre outras vilanias, quebrou o Banco de Brasília (BRB) com operações fraudulentas de R$ 17,5 bilhões. As conversas, reveladas pela imprensa, citam supostos repasses de R$ 500 mil ao filho do presidente do TSE — investigação que o próprio Kassio decidiu tratar.

O TSE, aliás, é território familiar para o clã: levantamento do UOL divulgado pelo Portal Vermelho mostra que Flávio Bolsonaro, presidenciável, acionou o tribunal 14 vezes para esconder a própria posição contra o fim da escala 6×1. O juiz que organiza a eleição tem o filho no grupo de WhatsApp do dono do banco que financiaria a campanha adversária. Coincidência, dirão os defensores da neutralidade.

 

 

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A abstenção como arma

O segundo turno está empatado: pesquisas recentes apontam equilíbrio em 50% dos votos válidos, com parte dos levantamentos colhida após a aprovação do fim da escala 6×1. Nesse cenário, cada voto vale ouro — e cada empecilho, também. Na leitura da Frente Livre, a mudança de seções às vésperas do turno decisivo, sob comando de quem deve ao bolsonarismo a toga e à família do Master a proximidade, funciona como mais um mecanismo capaz de engordar a abstenção, que no primeiro turno pesou contra o presidente Lula e contra as candidaturas da esquerda.

O TSE diz que tudo é infraestrutura. O eleitor tem a última palavra — e a última fila. Confira o local de votação, leve o documento e vote: porque contra a burocracia bolsonarista, a melhor resposta é o eleitor presente no domingo, às 8h, com o e-Título em mãos.


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