O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou nesta quinta-feira (2) duas obras monumentais que alteram a geografia econômica do Nordeste: o Túnel Major Sales, eixo central da Transposição do Rio São Francisco, e 101 quilômetros da ferrovia Transnordestina. Mais do que cimento e trilhos, as inaugurações representam um golpe direto no projeto histórico da elite brasileira, que jamais direcionou recursos do Tesouro Nacional para grandes obras de infra-estrutura na parte mais pobre do Nordeste.
“A seca é um fenômeno da natureza. A gente não briga com a natureza. Mas a fome, por conta da seca, é falta de credibilidade e de caráter de quem governa o país ou os estados”, declarou Lula. A obra era uma promessa engavetada desde o Império, em 1846, mantida na gaveta por governantes que preferiam ver nordestinos fugindo para tentar a sorte no Sudeste.
O fim da rota dos retirantes
No mesmo dia, em Quixeramobim (CE), o governo federal entregou um novo trecho da Transnordestina, com investimentos de R$ 2 bilhões, além de 100 novos vagões e o anúncio de um Porto Seco. A ferrovia, que no passado servia para escoar retirantes famintos, agora escoa a riqueza produzida no semiárido.
“Se isso aqui der certo, vai ter um pedacinho para todo mundo, porque essa é a nossa obrigação: levar possibilidade de desenvolvimento para as pessoas deste país”, afirmou o presidente. Apenas neste trecho, foram gerados 1,5 mil empregos diretos.
O Estado como indutor do progresso
O avanço simultâneo da segurança hídrica e da logística ferroviária prova que o subdesenvolvimento do Nordeste nunca foi um destino natural, mas uma escolha política do capital. Enquanto o mercado financeiro exige cortes de gastos e Estado mínimo, os investimentos bilionários do governo federal mostram que apenas o poder público é capaz de romper as amarras da desigualdade estrutural. A água agora chega às torneiras, e o trem, ao invés de levar mão de obra barata para o sul, traz desenvolvimento para o sertão.





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