O pré-candidato neofascista à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi a Buenos Aires na última semana para participar de um evento conservador e declarar publicamente seu amor pelo presidente argentino Javier Milei. Em discurso, Flávio afirmou que o Brasil será “irmão mais do que nunca” da Argentina se for eleito e confessou sentir “inveja” ao olhar o mapa dos países sul-americanos comandados pela direita.
— Quero terminar dizendo algo que falei na semana passada, na Marcha para Jesus: a partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão da Argentina mais do que nunca — discursou o senador, arrancando aplausos da plateia fascista portenha.
O problema é que, enquanto o candidato aquece a oratória, a economia do país vizinho congela — e o termômetro marca temperatura de hipotermia terminal.
A “inveja” que virou piada
Flávio disse sentir “inveja” do mapa da direita na América do Sul. Se a inveja fosse pelo desastre econômico, faria mais sentido. Nesta semana, o peso argentino atingiu mais uma mínima histórica de desvalorização — e o vexame transcendeu a economia real para virar piada no universo gamer.
De acordo com analistas de mercado, a moeda oficial da Argentina passou a valer menos que as moedas virtuais do Fortnite e do Roblox. Isto não é figura de linguagem. É necessário desembolsar mais cédulas de peso argentino para comprar V-Bucks — a moeda do battle royale da Epic Games — do que o contrário. O Robux, dinheiro utilizado para adquirir skins na plataforma infantil Roblox, também superou o valor unitário do papel-moeda argentino no mercado paralelo.
Traduzindo: uma criança brasileira que troca mesada por V-Bucks tem mais poder de compra virtual do que um trabalhador argentino tem poder de compra real.
O irmão mais rico e o irmão quebrado
A ironia é tão densa que nem a motosserra de Milei daria conta de cortar. Flávio Bolsonaro viaja a Buenos Aires para abraçar o modelo econômico de um presidente que transformou a moeda do próprio país em objeto de escárnio internacional. Enquanto isso, no Brasil, o governo Lula registra inflação de alimentos negativa e controle dos preços dos combustíveis.
A conta é simples: sob a direita que Flávio tanto admira, o peso argentino virou piada. Sob o governo que ele promete destruir, o real ainda compra, no mínimo, mais que um V-Bucks.
O senador pode continuar sonhando com a Argentina de Milei. Mas, se depender dos fatos econômicos, ele está é querendo ser irmão de um país quebrado — e herdeiro de uma moeda que vale menos que skin de videogame.






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