O PL, partido de Flávio Bolsonaro, elegeu a maior bancada do Senado e já articula, para 2027, o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A legenda rejeitou o que chamou de “acordão” com o STF e calcula ter 49 votos garantidos para afastar Moraes — faltando apenas cinco para o mínimo de 54. Dino entra no foco se mantiver as investigações sobre roubalheira em emendas parlamentares e sobre interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
É a ameaça mais explícita já feita contra um ministro do STF pelo simples ato de investigar corrupção ou afronta à soberania brasileira. É como se os ladrões quisessem demitir o chefe da polícia. Ou os traidores quererem enfocar o verdadeiro patriota. O gatilho não é um erro de Dino. É o contrário: é ele fazer o trabalho. O PL quer calar quem apura a corrupção que atinge o próprio partido.
O contexto é de um alvo que incomoda demais. Dino é o relator das investigações de emendas no STF. Mandou a PF apurar R$ 694 milhões em emendas irregulares, bloqueou até R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e investiga emendas Pix do vice de Flávio e de Hugo Motta, presidente da Câmara e um dos líderes do Centrão. Chamou as emendas de “maior vetor de corrupção”. Agora, o partido responde com a ameaça de cassá-lo.
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O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho, já acusou Dino e Moraes de “agirem politicamente” e defendeu mudar o regimento do Senado para facilitar o impeachment de magistrados. A estratégia é clara: se não podem vencer a investigação, mudam as regras para matar o investigador. O PL quer um STF que blinde o bolsonarismo — não um que o julgue.
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