Fogueira do fascismo explode no Brasil inteiro

Atentado contra Lula no ChatGPT; incêndio de centros de pesquisa, ataques a templos

Por Frente Livre
plano de atentado
Laboratório da UFPE em chamas. Foto: Reprodução Redes Sociais

A OpenAI, empresa que desenvolve o ChatGPT, acionou a Polícia Federal (PF) após identificar conversas de pelo menos dois usuários que sinalizaram plano de atentado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição no segundo turno de 25 de outubro. Um deles contou à inteligência artificial que já havia entrado em contato com um pistoleiro, enviou foto de um local que “seria bom” para o atentado e disse ter visto o presidente a cerca de 400 metros, em um ato de campanha. Outro mencionou um “fuzil de precisão”.

Um desses casos envolve mensagens enviadas ao ChatGPT desde janeiro. Em setembro, o usuário relatou ter visto Lula em um palanque montado para um ato de campanha, a cerca de 400 metros de sua residência. Na sequência, manifestou vontade de atirar na cabeça do presidente e perguntou à inteligência artificial: “O que acontece se eu matar o presidente? Quantos anos eu pegaria?”

De acordo com os documentos, o homem enviou uma foto de uma torre que, segundo ele, poderia oferecer um bom ângulo para o ataque. Também mencionou o uso de binóculos, um fuzil AR-15 com luneta e possíveis rotas de fuga. Embora tenha afirmado que não agiria e que não possuía uma arma de fogo, voltou a manifestar intenções violentas em diferentes conversas.

 

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O material encaminhado às autoridades também aponta que o usuário expressou vontade de agredir pessoas próximas, incluindo parentes, e compartilhou imagens de armas brancas e símbolos nazistas. Em uma das mensagens, afirmou que faria um massacre caso tivesse dinheiro.

No início de outubro, a PF encaminhou a documentação ao Ministério da Justiça, que decidirá a abertura de dois inquéritos: um por ameaça e injúria, outro por ameaça contra o presidente. A OpenAI ainda notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citando seu plano de conformidade eleitoral.

O plano que o robô entregou

O alerta da empresa segue seu protocolo de acionar autoridades quando as conversas indicam “risco iminente e concreto de que outras pessoas possam sofrer algum dano”. A conta foi encerrada e os diálogos, compartilhados com a PF. O método funciona: em junho, um homem foi preso no Espírito Santo depois de planejar no ChatGPT a morte do próprio filho, de oito anos.

Não é a primeira vez que a vida do presidente entra na mira. Em 2022, a PF desarticulou o plano batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, urdido por militares que assessoravam o então presidente Jair Bolsonaro, que previa atentados contra Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Desta vez, o mandante em potencial confidenciou o plano ao robô — e o robô não é cúmplice de ninguém.

Envenenamento em massa nos atos pró-Lula

Relatos pavorosos surgem em todos os cantos do Brasil. Inclusive um produzido pela atriz e influenciadora carioca Sherazade Medina, que foi candidata derrotada a deputada federal pelo PSD. Segundo ela, um militante fascista teria planejado se infiltrar nas manifestações de apoio ao presidente Lula, vestindo-se de vermelho e distribuindo água e alimentos envenenados.

O fogo no campus

Na mesma semana em que o alerta foi divulgado, o país digeria outro atentado. Três incêndios atingiram prédios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em oito dias. O maior destruiu laboratórios de fármacos, informática e genética, causou R$ 100 milhões em prejuízo e apagou duas décadas de pesquisa científica. A PF abriu inquérito e enviou peritos ao local.

O incêndio foi precedido de ameaças. Elas foram postadas num grupo de WhatsApp administrado por um fascista jovem, vereador recifense e deputado federal eleito, Thiago Medina (PL). O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) relatou que estudantes foram ameaçados horas antes, com mensagens que mencionavam a possibilidade de “explodir o departamento”. Segundo a Folha, um participante de um grupo chegou a propor uma lista para incendiar a universidade durante a madrugada, e outras mensagens falavam em agredir manifestantes e esfaquear uma liderança estudantil.

A Universidade Federal Fluminense (UFF) também denunciou ameaças. Houve fogo no campus da Universidade Federal do Pará (vídeo abaixo). O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse que o Ministério da Educação acompanha as investigações.

Templos, terreiros e estatísticas do terror

A onda também mira a fé. Na madrugada de 9 de setembro, em Fortaleza, um estabelecimento católico foi atacado; na mesma noite, outros dois locais católicos e um terreiro de Umbanda tiveram as fachadas incendiadas. Em 30 de setembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que a PF investigue a aparente disseminação de ataques a imagens católicas pelo país.

Os principais alvos da intolerância religiosa, porém, são os praticantes de Candomblé e Umbanda: 270 denúncias entre janeiro e junho de 2026, alta de mais de 40% sobre as 192 do mesmo período de 2025 — contra uma população que mal representa 1% do país. O combustível da radicalização é documentado: na Marcha para Jesus de 2026, Flávio Bolsonaro declarou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e que o mal será expulso do governo.

Os números fecham o quadro. Foram 134 casos de violência política no primeiro turno, um a cada nove horas, contra 121 em 2022 — mais de 50% das vítimas eram mulheres. Levantamento da Terra de Direitos e da Justiça Global registrou o período pré-eleitoral mais violento em uma década: 354 casos, alta de 18,4%, com 24 dos 28 episódios de intenção de matar contra agentes políticos locais.

Um grupo que se denomina “Nova Ordem Ariana” ameaçou de estupro e morte a vereadora Vivi Reis (PSOL), em Belém, com menção a um massacre.

Os homens são atacados por sua atuação política. Já as mulheres, as pessoas negras e trans enfrentam também o machismo, o racismo e a transfobia que estrutura a sociedade brasileira”, resume Glaucia Marinho, do observatório que monitora os casos.

Fascismo não é adjetivo retórico: é método. Atentado a líder, fogo na universidade, chamas no terreiro, ameaça a candidata. E a aposta é a de sempre — a impunidade, que Flávio Bolsonaro promete restaurar.

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