Defende agressor de mulher e explica: “por isso eu sou Bolsonaro”

Por Frente Livre
Renato Gaúcho Flávio mulheres
Renato Portaluppi em coletiva de imprensa pelo Grêmio: "A imprensa não ouviu o outro lado (o do agressor), por isso eu sou Bolsonaro". Foto: Reprodução Youtube

O técnico do Grêmio, Renato Portaluppi, declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) ao defender um agressor de mulher — o auxiliar Alexandre Mendes, preso por descumprir uma medida protetiva da Lei Maria da Penha solicitada pela ex-esposa. A agressão contra a mulher, ponto central do caso, foi tratada pelo treinador como detalhe — e virou mote de apoio ao candidato bolsonarista.

A prisão que o técnico minimizou

Mendes foi detido na quinta-feira (8) e deixou a prisão na sexta-feira (9). Trabalhou no sábado (10) e esteve no banco de reservas no Gre-Nal de domingo (11), o empate por 1 a 1 com o Internacional, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. O motivo da detenção, porém, não é um detalhe: o auxiliar descumpriu medida protetiva pedida pela ex-mulher — a ferramenta da Lei Maria da Penha que existe para proteger mulheres de agressores.

Em entrevista coletiva após o clássico, Renato defendeu Mendes e criticou a imprensa pela cobertura. “Sou a favor da prisão do cara que bate na mulher. O dia que ele fizer isso ele não vai mais trabalhar comigo”, disse o treinador, sem reconhecer que o caso do próprio auxiliar é exatamente o que ele diz condenar.

A defesa que virou voto

Ao final da resposta, Renato associou a defesa do auxiliar ao posicionamento eleitoral. “Eu não deveria falar isso, mas é por isso que sou Bolsonaro”, afirmou, recebendo aplausos. A manifestação representou apoio público a Flávio Bolsonaro no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com votação marcada para 25 de outubro.

O técnico sustentou que Mendes foi “inocentado” pelo Ministério Público e questionou por que os jornalistas não deram o mesmo destaque à versão da defesa. É o papo de todo homem agressor: “não ouviram o meu lado”. Como se houvesse alguma justificativa para que um homem use violência contra uma mulher. O fato de o MP não ter aberto uma ação não o isenta de ter de manter distância da mulher, como determinou a Justiça. Muito menos que o MP o tenha “inocentado”, dado que MP não julga ninguém, logo, não condena nem inocenta.

O que importa

O caso não é sobre um auxiliar de futebol. É sobre violência contra a mulher. É sobre um técnico famoso que transforma agressão em detalhe, imprensa em inimiga e voto em aplauso. É sobre a naturalização do que a Lei Maria da Penha existe para combater. Renato escolheu o lado do agressor. Ao fazê-lo, ainda deixou claro que “é por por isso” que ele apoia a candidatura fascista à Presidência do Brasil. Está correto! Quem passa pano para agressor de mulher de fato apoia Flávio Bolsonaro, que é a candidatura contrária a proteção dos direitos das mulheres.

E o Brasil, em 25 de outubro, escolhe se fica ao lado das mulheres ou de quem as agride.

Canal no whatsapp

Receba notícias da Frente Livre direto no celular.
Seguir