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regras do novo Desenrola
Dario Duringan, ministro da Fazenda, explica novas regras do Desenrola: quem aderir, ficará bloqueado nos sites das BETs. Foto: Washington Costa/MF
ECONOMIA

Governo define regras do novo Desenrola contra BETs

Objetivo é frear ciclo de dívidas provocado por sites de aposta

O Ministério da Fazenda definiu diretrizes para impedir que beneficiários do Desenrola Brasil tenham seus dados utilizados por plataformas de apostas online. A medida, publicada na segunda-feira (5), busca evitar que informações pessoais de famílias endividadas, fornecidas para renegociação de dívidas, sejam acessadas por empresas que operam no mercado de jogos digitais — setor marcado por alta lucratividade, baixa regulação e forte impacto social.

As regras respondem à preocupação crescente com o ciclo de endividamento agravado pelas bets, que têm capturado especialmente jovens, trabalhadores precarizados e famílias em situação de vulnerabilidade. O governo federal descreve a iniciativa como um esforço para impedir que beneficiários renegociem dívidas de energia, água e cartão de crédito durante o dia e voltem ao vermelho à noite, empurrados pela mecânica compulsiva das plataformas de aposta.

Medida tenta conter avanço predatório das BETs

Pelas novas normas, o operador do Desenrola não poderá compartilhar qualquer informação dos usuários com empresas de apostas, nem permitir que essas plataformas usem o sistema para validar identidades ou realizar cobranças. O objetivo central é impedir que o ambiente de renegociação seja explorado como porta de entrada para novas dívidas — prática comum no mercado de apostas digitais, onde o incentivo compulsivo ao jogo funciona como modelo de negócio.

A Fazenda reforça que o programa se destina exclusivamente à renegociação e à reestruturação financeira das famílias. A presença do setor de apostas, um dos mais agressivos na publicidade digital, é vista pelo governo como ameaça direta à eficácia da política pública.

Contexto de endividamento exige proteção mais ampla

A medida surge em meio ao avanço das casas de apostas no Brasil, que faturam bilhões enquanto ampliam o número de pessoas endividadas e com transtornos relacionados ao jogo. Para a Frente Livre, fica evidente a disputa entre um programa social voltado a reduzir vulnerabilidades e um setor econômico que lucra justamente da vulnerabilidade.

Especialistas apontam, porém, que a restrição é só parte da solução: faltam regulação mais rígida, limitação de publicidade e mecanismos de proteção financeira. A política pública tenta impedir novas feridas enquanto o mercado segue aberto para produzir outras.

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