Lei Felca contra a barbárie das big techs

STF começa julgamento das plataformas digitais

Por Redação com Agência Brasil
STF big techs Lei Felca
Relator do caso, Dias Toffoli votou por 60 dias para enquadramento das big techs. Fotos: Odinei Coutinho/STF

O cerco está se fechando contra a barbárie digital patrocinada pelos monopólios de tecnologia e defendida com unhas e dentes pela extrema direita. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quinta-feira (11) para conceder um prazo de 60 dias para que as big techs implementem medidas rigorosas de controle de conteúdo. A decisão dialoga diretamente com o espírito da recém-aprovada Lei Felca (Lei 15.211/2025), o ECA Digital, que obriga as plataformas a protegerem crianças e adolescentes da exploração online.

O voto de Toffoli ocorre na análise de recursos do Google e do Facebook contra a decisão do STF que responsabilizou as empresas por publicações ilegais. O ministro foi categórico ao definir o prazo para que as plataformas proíbam o acesso a vídeos com exploração e abuso sexual, violência física e indução a danos à saúde de menores.

“Prazo esse que considero razoável e mais que suficiente para a ultimação das providências pertinentes e eventuais ajustes em decorrência dos esclarecimentos ora prestados”, afirmou o Toffoli.

Além disso, as empresas são obrigadas a manter representante legal no país.

A hipocrisia da extrema direita e a Lei Felca

A regulação imposta pelo STF e a sanção da Lei Felca expõem a maior contradição do bolsonarismo. Quando o influenciador Felca denunciou a “adultização” e a exploração de crianças nas redes, a sociedade exigiu respostas. O Congresso aprovou o ECA Digital para responsabilizar as plataformas, mas a extrema direita lutou ferozmente contra a medida.

Os autoproclamados “defensores da família” preferiram atuar como lobistas das big techs, gritando sobre uma falsa “liberdade de expressão” para garantir que o capital estrangeiro continuasse lucrando com a violência e a pedofilia digital. A hipocrisia é gritante: atacam o STF e as leis nacionais para proteger bilionários do Vale do Silício que se recusam a respeitar a soberania brasileira.

O fim da terra sem lei

A decisão de Toffoli estabelece que o marco temporal para a eficácia da responsabilização é 27 de junho de 2025. “Não basta dizer que a tese somente se aplica prospectivamente. É preciso definir expressamente o marco temporal a partir do qual ela começará a produzir os efeitos que lhe são próprios”, justificou.

Após o voto do relator, o plenário iniciou a coleta dos demais votos. Mais nove votos serão proferidos.

O STF julga recursos que pedem esclarecimentos sobre a decisão da Corte que estabeleceu a responsabilização das redes. Os recursos foram protocolados pelo Facebook e o Google.

Os recursos das plataformas pedem um prazo implantação das regras definidas durante o julgamento ou que seja garantida aplicação das regras somente após o trânsito em julgado da decisão do plenário.

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