A Ucrânia atacou no sábado (25) uma embarcação comercial iraniana no Mar Cáspio, na Ásia Central, deixando um marinheiro morto e vários feridos. O ataque amplia a guerra para uma região até então preservada do conflito e confirma o papel de Kiev como bazuca operada pelos Estados Unidos no tabuleiro geopolítico mundial. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a operação e afirmou que foram atingidas “embarcações utilizadas no transporte de cargas militares envolvendo o Irã”, além de um navio de guerra russo.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou a operação como um “ato perigoso de aventureirismo” e afirmou que “certamente não ficará sem resposta”. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi mais longe: acusou Israel de ter ordenado o ataque para “arrastar a Europa para sua guerra”. Araghchi conversou com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, e com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, pedindo condenação da operação.
A bazuca no tabuleiro
O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, classificou o ataque nesta segunda-feira (27) como uma “ação agressiva” e lembrou que a Ucrânia já atacou infraestruturas energéticas na Alemanha e o Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), principal rota de exportação de petróleo do Cazaquistão. “No passado, isso teria sido um casus belli”, enfatizou. “O Irã é um Estado soberano, muito resoluto na defesa de seus direitos, e tem o potencial correspondente neste contexto. Veremos como a situação se desenvolve.”
O embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, informou que o navio estava ancorado a cinco quilômetros da costa durante uma tempestade e não transportava carga militar. Classificou o incidente como “ato criminoso” e disse que Teerã se reserva o direito de responder. O navio estava em águas territoriais russas.
Petróleo, gás e o Cáspio
O Mar Cáspio é o maior corpo de água interior do planeta, com 371 mil quilômetros quadrados, e banha Rússia, Irã, Cazaquistão, Azerbaijão e Turcomenistão. É rota estratégica de transporte de petróleo e gás natural entre a Rússia, o Cáucaso e a Ásia Central. Em fevereiro de 2025, a Ucrânia já havia atacado uma estação de bombeamento do CPC, provocando protestos do Cazaquistão na Organização Marítima Internacional.
No mesmo dia em que o ataque ao navio iraniano era divulgado, o presidente russo, Vladimir Putin, denunciou a “pressão econômica” do Ocidente contra a Rússia e afirmou que Moscou resistirá a “tentativas de contenção”. As sanções são “ilegais” e “ineficazes”, disse.
A engrenagem é clara. Os EUA armaram a Ucrânia para sangrar a Rússia no norte. Agora Kiev ataca o Irã no sul, em região de petróleo e gás. O objetivo não é a liberdade da Ucrânia. É o controle das rotas energéticas que sustentam o eixo Rússia-Irã-China. Trump transformou Zelensky em projétil. O alvo é o multipolarismo.





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