GDF tem 48h para tirar dinheiro do caixa e cobrir rombo do BRB

Ibaneis terá que usar verba pública para salvar instituição quebrada por fraude

Por Redação
Ultimato BC rombo BRB
Ibaneis Rocha durante evento em que autorizou projeto de construção da nova sede do TRF1. Foto: Renato Alves/Agência Brasília.

O governador Ibaneis Rocha recebeu o ultimato. O Banco Central deu prazo até a próxima sexta-feira (6) para que o Banco de Brasília (BRB) apresente um plano de injeção de capital. Na prática, o GDF tem 48 horas para dizer de onde tirará cerca de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo deixado pelo escândalo do Banco Master.

Consequentemente, a conta dessa operação de salvamento recairá sobre o orçamento público. Para cumprir a exigência e evitar a quebra técnica do banco, o governo terá que remanejar recursos essenciais. Ou seja, verbas que iriam para saúde, educação e segurança pública serão desviadas para tapar o buraco financeiro criado pela má gestão.

A Origem do Prejuízo

A pressão do Banco Central não é gratuita. Isso ocorre porque o BRB realizou operações desastrosas no fim de 2024. Na ocasião, o banco estatal gastou bilhões para comprar carteiras de crédito do Banco Master.

Contudo, as investigações revelaram a fraude. O Master comprou esses créditos por metade do preço e os revendeu ao BRB com ágio bilionário, recebendo à vista. Além disso, o banco de Daniel Vorcaro sequer havia pago pela aquisição original.

Dessa forma, o balanço do BRB foi contaminado por ativos “podres”. Agora, a autoridade monetária exige a recomposição imediata do patrimônio para garantir a solidez da instituição.

O Custo da Aventura Política

Especialistas apontam que o risco de falência é baixo apenas por um motivo: o GDF é o dono do banco (71,92% das ações). Portanto, o Tesouro local funciona como fiador do desastre.

Vale lembrar que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025. A operação teve apoio público de Ibaneis Rocha, mas foi barrada pelo BC. Entretanto, o dinheiro já havia saído. O Ministério Público investiga gestão fraudulenta, já que R$ 12 bilhões foram para carteiras sem garantia.

Por fim, se o plano for aprovado, o GDF terá seis meses para executar a transferência. O dinheiro do contribuinte, que deveria salvar vidas nos hospitais, servirá para salvar o banco da liquidação.


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