Flávio escolhe vice investigado por estupro de vulnerável

Alfredo Gaspar teve DNA coletado pela PF por estupro de menina

vice Flávio acusado estupro
Gaspar (PL-AL) foi relator da CPI do INSS e manobrou a investigação para envolver o filho do presidente Lula. Foi acusado e investigado por estupro. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Isolado, sem vice e com o centrão tendo lhe virado as costas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou hoje (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de chapa à Presidência da República. A chapa pura, sem coligação com nenhuma outra legenda, expõe o naufrágio político do candidato do PL. E o perfil do escolhido é uma bomba: Gaspar é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de estupro de vulnerável de uma menina de 13 anos, que teria concebido uma criança, hoje com 8 anos, registrada no nome da avó.

A Polícia Federal (PF) solicitou autorização ao ministro Gilmar Mendes para abrir investigação formal contra o parlamentar. A representação, assinada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), aponta que Gaspar teria praticado o crime há oito anos. A denúncia menciona ainda negociação de silêncio: R$ 70 mil já pagos e outros R$ 400 mil prometidos à vítima. Na última quinta-feira (23), em Maceió, o deputado foi obrigado a ceder material genético para exame de DNA.

O moralista que perseguiu Lulinha

A ironia é cortante. Gaspar passou meses como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, quebrando sigilos e revirando a vida de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sem encontrar uma única prova. O relatório que pedia o indiciamento do filho do presidente Lula foi rejeitado pela própria comissão. Agora, o parlamentar que usou o mandato para perseguir famílias alheias luta para provar que sua própria linhagem não começou com um crime hediondo.

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O isolamento que produziu a chapa

A escolha de Gaspar não foi estratégia. Foi desespero. Em menos de uma semana, quatro siglas do centrão bateram a porta na cara de Flávio: Podemos, Progressistas (PP), União Brasil e Republicanos formalizaram neutralidade. O PL chegou a oferecer o fundo eleitoral, de R$ 881,6 milhões, e a vice a Daniella Marques. Recusada. Sem coligação, Flávio terá 20% menos tempo de televisão que o presidente Lula. Restou-lhe escolher um vice dentro do próprio partido, onde estão concentrados os quadros do neofascismo brasileiro. E escolheu um acusado de estupro.

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