O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) colheu, em abril de 2026, os frutos amargos de uma política de segurança pública pautada no confronto direto e no espetáculo da violência. Segundo dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP), o número de homicídios dolosos no estado de São Paulo saltou de 213 em abril de 2025 para 238 no mesmo mês deste ano — um aumento preocupante de 11,7%. O cenário é ainda mais desolador quando olhamos para os crimes sexuais: os estupros cresceram 7,3%, atingindo a marca de 1.225 ocorrências em apenas 30 dias.
A escalada da violência em SP sob a gestão bolsonarista de Tarcísio é o atestado de óbito da tese de que “bandido bom é bandido morto”. Enquanto o Palácio dos Bandeirantes aposta no terror policial e na letalidade como ferramentas de marketing político, a criminalidade real, aquela que tira o sono do trabalhador na periferia, continua avançando sem freios. O foco na letalidade policial, muitas vezes celebrada pela cúpula da segurança, tem se mostrado incapaz de deter a desagregação social que alimenta os índices de criminalidade.
A falácia da bala de prata
O aumento dos homicídios dolosos — quando há intenção de matar — desmascara a narrativa oficial de que a mão pesada do Estado traria ordem. O que se vê é uma polícia cada vez mais voltada para operações de vingança e menos para a inteligência e investigação. O resultado é uma espiral de violência onde o Estado mata mais, mas o crime também mata mais. A política de segurança de Tarcísio e Derrite ignora que a violência é um problema estrutural que não se resolve apenas com fuzil, mas com presença social, educação e uma polícia que respeite a lei e os direitos humanos.
No caso dos estupros, a alta de 7,3% revela a fragilidade das políticas de proteção às mulheres e vulneráveis. Em um estado onde o discurso oficial flerta com o machismo estrutural e o desmonte de redes de apoio, o aumento das agressões sexuais é um sintoma de uma sociedade que se sente autorizada a violentar. A SSP tenta maquiar os números com variações mensais, mas o fato é que o paulista está menos seguro hoje do que estava há um ano.
O corpo estendido no chão e o lucro do medo
A gestão Tarcísio parece acreditar que a segurança se faz apenas com o barulho das sirenes. No entanto, os 238 corpos estendidos no chão em abril mostram que o crime organizado não se sente intimidado pelo “terror policial”. Pelo contrário, a violência institucional muitas vezes serve como combustível para o recrutamento de jovens sem perspectiva, retroalimentando o ciclo que o governo jura combater. A segurança pública em São Paulo virou um balcão de negócios políticos onde a moeda de troca é a vida da população pobre e preta.




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