O Tribunal de Contas da União (TCU) está prestes a chancelar um dos maiores escárnios institucionais recentes. A área técnica da corte propôs o arquivamento do pedido de investigação sobre a presença de autoridades federais nas festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro em sua mansão em Trancoso (BA). Mais do que uma decisão burocrática, trata-se de uma blindagem explícita a uma rede de promiscuidade entre o dono do Banco Master — pivô de um rombo de R$ 52 bilhões — e a cúpula do Executivo, Legislativo e Judiciário.
O pedido de devassa, feito pelo procurador do Ministério Público de Contas (MPTCU), Lucas Rocha Furtado, exigia urgência. Ele queria a coleta imediata de provas, depoimentos e documentos para descobrir quem frequentou os eventos na Bahia. O motivo da pressa era óbvio: nos bastidores de Brasília, é de conhecimento público que as “festas” de Vorcaro iam muito além de jantares de negócios. Eram noitadas a portas fechadas, regadas a luxo, companhias exclusivas e prazeres financiados integralmente pelo anfitrião para agradar seus convidados ilustres.
No entanto, a Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos (AudBancos) do TCU preferiu a conveniência de fechar os olhos. Em um parecer que beira o cinismo, os auditores alegaram que não há provas de uso de “recursos públicos federais” nos eventos. A desculpa é uma afronta à inteligência: a moeda de troca nesses encontros íntimos não era o dinheiro do Tesouro, mas sim os favores e o entretenimento adulto bancados pelo empresário para comprar a lealdade de quem, por dever de ofício, deveria fiscalizá-lo ou julgá-lo.
A relatoria do caso está nas mãos do ministro Jorge Oliveira, e o processo foi pautado para a sessão da Segunda Câmara na próxima terça-feira (24). A tendência, já desenhada nos corredores da corte, é que o ministro valide a proposta técnica e enterre a representação de vez.
A esperada canetada de Oliveira servirá como o verniz oficial para uma lavagem de mãos institucional. Ao arquivar o caso sem sequer investigar a lista de convidados ou quebrar os sigilos necessários, o TCU não apenas livra as autoridades do constrangimento público de terem suas farras expostas, mas também consolida a mensagem de que, no Brasil, a promiscuidade entre o capital financeiro e o Estado tem passe livre — desde que aconteça nas praias exclusivas da Bahia.
LUÍS COSTA PINTO - Veja o vídeo






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