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Ilustração: FLIA
ECONOMIA

Entenda por que a guerra faz o dólar disparar

Conflito no Oriente Médio gera fuga de dólares do Brasil

O mercado financeiro viveu um dia de pânico nesta terça-feira (3). O dólar comercial disparou quase 2%, encerrando o dia vendido a R$ 5,26. Na contramão, a Bolsa de Valores brasileira (B3) despencou mais de 3%, atingindo seu menor patamar em um mês. Mas o que explica esse movimento brusco? A resposta não está no Brasil, mas no agravamento do conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Para entender como uma guerra do outro lado do mundo afeta a moeda no Brasil, é preciso compreender um conceito básico do mercado financeiro: a “fuga para a segurança”.

O medo e o porto seguro

Pense nos grandes investidores globais como pessoas que têm muito dinheiro e detestam surpresas. Quando o mundo está calmo, eles enviam seus dólares para países emergentes, como o Brasil, para investir na Bolsa de Valores e tentar lucrar mais. É o chamado “investimento de risco”.

Porém, quando uma guerra explode e ameaça tomar proporções regionais, o medo toma conta. O que esses investidores fazem? Eles tiram o dinheiro dos países emergentes (vendem suas ações na Bolsa brasileira, fazendo-a cair) e compram o ativo considerado o mais seguro do mundo: o próprio dólar americano.

Como muita gente quer comprar dólar ao mesmo tempo e o dinheiro está saindo do Brasil, a moeda americana fica escassa por aqui. Pela lei da oferta e da procura, tudo o que é escasso fica mais caro. É por isso que o dólar salta para R$ 5,26.

O fator petróleo e a inflação

O buraco, no entanto, é mais embaixo, e tem cheiro de combustível. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz. Trata-se de uma rota marítima estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. O Catar também suspendeu a produção de gás natural.

Com a ameaça de faltar combustível no mundo, o preço do barril de petróleo disparou mais de 4%, ultrapassando os US$ 80. E é aqui que a guerra chega ao bolso do brasileiro comum. Petróleo mais caro significa gasolina e diesel mais caros. Como quase tudo no Brasil é transportado por caminhões, o frete sobe. Se o frete sobe, a comida no supermercado fica mais cara. Isso gera inflação.

O freio nos juros

Para combater a inflação, o Banco Central do Brasil usa a Taxa Selic (os juros básicos da economia). Se a inflação ameaça subir por causa do petróleo, o Banco Central perde a margem para baixar os juros.

A expectativa era de que a Selic caísse 0,5 ponto percentual neste mês, mas, com a crise, o corte deve ser de apenas 0,25 ponto. Juros altos encarecem os empréstimos, dificultam o consumo, freiam a geração de empregos e prejudicam o crescimento da economia brasileira, que já havia desacelerado no fim do ano passado.

Em resumo: o míssil disparado no Oriente Médio afugenta os dólares do Brasil, encarece o petróleo, ameaça gerar inflação e impede que os juros caiam. É o efeito dominó da guerra cobrando a conta na economia real.

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