O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira (19) a redução de apenas 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros da economia, a Selic. O Banco Central (BC) cortou os juros na véspera, pela primeira vez em quase dois anos, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano.
Lula disse que esperava uma redução maior, de 0,5 ponto percentual.
“Estou triste, porque eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro pelo menos em 0,5%. E baixou só em 0,25, dizendo que é por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, afirmou o presidente durante um evento do governo federal em São Paulo.
A fala de Lula mira o principal ponto da decisão do BC: a cautela diante do aumento das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio. Embora a queda de juros já fosse esperada pelo mercado, parte dos analistas apostava em um corte maior. Antes da escalada do conflito, essa era mesmo a expectativa predominante.
O presidente também relacionou a taxa alta ao esforço do governo para fazer a economia andar.
“Nós estamos fazendo um sacrifício que vocês não têm noção. O sacrifício que nós estamos fazendo para fazer a economia crescer, para fazer a geração de emprego, para aumentar o salário das pessoas, vocês não têm noção”, disse Lula, ao defender que juros mais baixos ajudam a atividade econômica.
Selic ainda segue em nível muito alto
Mesmo após o corte, a Selic continua em patamar elevado. Com 14,75% ao ano, ela segue como uma das mais altas do mundo e continua servindo de referência para empréstimos, financiamentos e outras taxas cobradas de famílias e empresas. Na prática, isso significa crédito mais caro e mais dificuldade para consumo e investimento.
Antes dessa redução, a taxa havia sido elevada sete vezes seguidas, entre setembro de 2024 e junho de 2025, e depois permaneceu parada por quatro reuniões consecutivas. Na ata da reunião de janeiro, o Copom já havia indicado que iniciaria um ciclo de cortes agora, mas o comunicado de quarta-feira trouxe mais prudência. O Banco Central não descartou mudar o rumo da política monetária caso a inflação ou o cenário externo piorem.
Inflação desacelera, mas segue no radar
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito encarece e o consumo tende a cair; quando os juros baixam, a economia recebe estímulo. O mercado financeiro projeta que a taxa termine 2026 em 12,25% ao ano.
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, puxada principalmente pelos gastos com educação. Ainda assim, o acumulado em 12 meses caiu para 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Segundo o último boletim Focus, a previsão de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1%, refletindo o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços. A meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, o que permite inflação de até 4,5%.
