Num país que ainda conta os corpos da violência contra mulheres, a extrema direita resolveu fazer o que mais sabe: transformar uma pauta séria em picadeiro. Renan Santos, seu braços digital, o MBL, e político, o partido Missão, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira passaram a gravar vídeos nas redes contra o PL da Misoginia, enviado pelo governo Lula ao Congresso para enfrentar a violência de gênero. O enredo é conhecido: quando o tema é proteção às mulheres, sobra sarcasmo; quando é ataque político, falta pudor.
“Nós, democraticamente, decidimos que vamos caminhar até o bar Violeta. Ele foi selecionado e negociado pela agente Bárbara Tonelli. Se não formos permitidos de entrar, a Bárbara será estuprada.”
Veja o vídeo
O bolsonarismo descobriu a pauta das mulheres — para atacá-la
A reação ao PL da Misoginia escancara uma aliança curiosa, mas nada improvável: MBL, Missão e bolsonarismo afinados na hora de golpear uma proposta que tenta dar nome à violência que mata, humilha e silencia mulheres todos os dias.
O caso de Flávio Bolsonaro beira o absurdo. Ele votou a favor do projeto do Senado. Depois publicou um vídeo dizendo que fora enganado e que seu partido, o PL, trabalhará contra o projeto na Câmara.
Nikolas Ferreira fez o de sempre. Publicou um vídeo nas redes sociais em que fala de Lula, Janja e outros que tais, menos do tema a que o projeteo de lei propõe atacar. Mas deixa claro que é contra o PL e que vai tentar barrá-lo.
A ironia é brutal. Enquanto o governo tenta criar mecanismos para combater a misoginia, parte da direita faz campanha contra a própria ideia de nomear o problema. Querem transformar violência de gênero em “pauta ideológica”, como se agressão, assédio e desumanização fossem invenções retóricas.
Veja o vídeo
O vídeo, a pose e a hipocrisia
No caso de Renan Santos, a reedição do vídeo de 2018 ajuda a iluminar o personagem. A fala é indefensável. A tentativa posterior de enquadrar o episódio como piada de amigos alcoolizados não apaga o essencial: quem flerta com ameaça de estupro para se divertir revela muito mais do que gostaria sobre a própria formação política.
E é exatamente por isso que a turma se agita contra o PL da Misoginia. Não é debate jurídico. É defesa de território. Quando o Estado tenta colocar limite na violência contra mulheres, os mesmos de sempre correm para proteger o direito de continuar abusando da linguagem, do público e da inteligência alheia.






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