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traição de Bolsonaro
Os Bolsonaros com o vice-presidente dos EUA e o blogueiro Paulo Figueiredo, que é suspeito de fraude milionária nos EUA. Foto: RS/Fotos Públicas
BRASIL

Para abafar fraude, clã Bolsonaro atrai EUA ao país

Tentando fugir do caso Master, família abre porta a imperialismo

Os Bolsonaros cometeram mais um atentado contra a soberania nacional nesta quinta-feira (28). Acuados pela revelação de ligações íntimas com o banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, do Banco Master, os filhos do ex-presidente golpista foram aos Estados Unidos articular uma traição. Após reuniões de Flávio e Eduardo Bolsonaro com Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, o governo norte-americano anunciou a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida abre brecha direta para ações militares e sanções econômicas dos EUA dentro do território brasileiro.

A decisão, que entra em vigor em 5 de junho, baseia-se em uma ordem executiva de Trump. Em comunicado, Rubio justificou a manobra afirmando que as facções “juntas, comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país”.

Não se sabe exatamente o que os Bolsonaros falam nos ouvidos pouco sofisticados do governo Trump, mas a alegação de que as duas facções tem osquestrado ataques brutais contra autoridades públicas e civis é uma mentira escandalosa.

A direita tem ramos compridos nas facções

O envolvimento tanto do PCC quanto do Comando Vermelho com autoridades públicas se dá em outra esfera. Por exemplo, o ex-deputado estadual TH Joias, homem de confiança de Flávio Bolsonaro, mantém ligações estreitas com o Comando Vermelho, no Rio. Foi preso e cassado por causa disso.

O governo de Goiás, entre outubro de 2021 e agosto de 2025, com o agrobolsonarista Ronaldo Caiado a frente, movimentou R$ 1 bilhão na fintech BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, investigada na Operação Carbono Oculto e apontada como banco paralelo do PCC.

Há mais.

O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, passou a ser investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

A inclusão de Rueda ocorreu após a denúncia de um piloto de táxi aéreo, que o apontou como o verdadeiro proprietário de quatro jatinhos ligados à facção criminosa, supostamente registrados em nome de laranjas. O dirigente nega as acusações.

O denunciante, que atuou por dois anos na Taxi Aéreo Piracicaba (TAP), afirmou à PF ter transportado figuras centrais do esquema financeiro do PCC, como Mohamad Hussein Mourad (conhecido como “Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”), ambos atualmente foragidos.

Em um dos mais de 30 voos realizados para a dupla, o piloto relatou ter ouvido Beto Louco mencionar um encontro com o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP) e aliado político próximo de Rueda. Na mesma data, o piloto alega ter transportado uma sacola com suposto dinheiro em espécie para o gabinete do senador. Ciro Nogueira também nega que o encontro tenha ocorrido.

A retórica do narcoterrorismo é a mesma usada por Washington para bombardear embarcações no Caribe e invadir a Venezuela para depor o presidente Nicolás Maduro.

A cortina de fumaça para abafar o escândalo do Banco Master

O lobby bolsonarista em Washington não tem relação com segurança pública, mas com desespero jurídico. A família tenta criar uma cortina de fumaça internacional para desviar o foco de sua aliança com Vorcaro, pivô de fraudes bilionárias.

Ao fustigar os EUA para classificar as facções como terroristas, os Bolsonaros entregam o Brasil ao intervencionismo estrangeiro apenas para salvar a própria pele. O governo brasileiro tentava barrar a medida justamente pelo risco de sanções severas e pela ameaça de tropas norte-americanas operando no país.

Soberania rifada pela extrema direita

Especialistas alertam que a designação centraliza informações de inteligência na CIA e em órgãos militares dos EUA, inviabilizando investigações conjuntas e ferindo a autonomia da Polícia Federal.

No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Casa Branca para discutir a asfixia financeira do crime transnacional, mas sem ceder a classificações que ferem a independência do país.

A extrema direita, porém, não tem escrúpulos. Ao agir como despachante do imperialismo, o bolsonarismo prova que seu patriotismo é apenas uma farsa para encobrir corrupção.

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