A pressão do capital falou mais alto no Senado Federal. 24 horas após descartar a manobra que tentava esvaziar a vitória da classe trabalhadora, o senador Otto Alencar (PSD-BA) recuou e aceitou colocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) alternativa na mesma esteira de tramitação do fim da escala 6×1. O texto paralelo, de autoria do bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN) e apadrinhado por Davi Alcolumbre (União-AP), abre caminho direto para a redução de salários e a precarização das relações trabalhistas.
A decisão representa uma vitória tática do lobby empresarial, que atua nos bastidores para sabotar a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem perda de renda. Anteriormente, Otto havia garantido que sua prioridade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) seria exclusivamente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Agora, sob forte pressão patronal, a assessoria do senador confirmou que o mesmo relator analisará ambas as propostas.
A desculpa oficial para o recuo é dar agilidade à tramitação. No entanto, colocar lado a lado um projeto que liberta o trabalhador da exaustão e outro que institucionaliza o corte de direitos é uma armadilha legislativa. A PEC de Marinho cria um modelo flexível baseado em horas efetivamente trabalhadas, permitindo contratos proporcionais e ampliando a prevalência do acordo individual sobre o coletivo — o sonho de consumo de qualquer patrão que deseja baratear a mão de obra e esfolar o trabalhador.
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A armadilha da flexibilização contra a classe operária
Embora Otto Alencar tenha declarado que “não dá para colocar hora trabalhada no Brasil”, o simples fato de aceitar a tramitação conjunta legitima a ofensiva neoliberal. Críticos alertam que a medida tenta substituir a lógica de proteção da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um vale-tudo contratual.
Senado atua como trincheira do capital
O recuo evidencia como o Senado funciona como a verdadeira fortaleza do empresariado contra os avanços populares. Enquanto a PEC original garante mais tempo livre e mantém o salário, a alternativa da direita cobra a conta da folga diretamente do bolso do empregado. A classe trabalhadora precisará dobrar a mobilização para garantir que a manobra de Alcolumbre e Marinho não desidrate a conquista histórica do fim da escala 6×1.






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