O Itamaraty alertou oficialmente que os Estados Unidos podem usar força militar em território brasileiro. A advertência está em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em resposta a requerimento do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES). “Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, afirma o texto enviado ao Congresso em 1º de julho.
A classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, feita pelos EUA em maio, abre a porta para sanções unilaterais, medidas extraterritoriais e, agora confirmado pelo próprio chanceler, para ação militar direta sobre o país. “Trata-se, portanto, de medida que tem impactos relevantes sobre a soberania do Brasil”, declarou Vieira.
Quem abriu a porta
A catástrofe diplomática não caiu do céu. Fou fabricada pela família Bolsonaro. No dia 26 de maio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi recebido na Casa Branca por Donald Trump e pediu pessoalmente a classificação das facções como terroristas. Quando Trump atendeu ao pedido, Flávio comemorou: “Grande dia”. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também celebrou a decisão nas redes sociais.
Os Bolsonaros não fizeram o lobby por se oporem ao crime organizado. Na verdade, mantém relações próximas com o Comando Vermelho. O que eles querem mesmo é a incursão militar dos EUA dentro do Brasil. Pelo direito internacional, isso é absolutamente proibido. Mas os EUA não ligam para o direito internacional. A classificação de terrorismo é uma peça legislativa interna. Ela permite ao presidente norte-americano autorizar missões militares sem correr o risco de ser processado ou ter de pedir autorização ao Congresso.
Foi assim, por exemplo, que o neofascista Donald Trump fez na Venezuela. Um grupo militar invadiu o país, sequestrou e tirou do poder o presidente Nicolas Maduro sob a absurda mentira de que ele fazia parte de uma quadrilha internacional de tráfico de drogas. Na verdade, Maduro garantia a soberania da Venezuela sobre suas imensas reservas de petróleo. Por isso foi golpeado.
A galeria da vergonha
A catástrofe diplomática foi aplaudida por uma fila de entreguistas.
O senador Sergio Moro (PL-PR) classificou a decisão como “uma vitória diplomática pro Brasil”. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial neofascista do PL, afirmou que a medida mostra que seu grupo “está ao lado do povo”. O senador Magno Malta (PL-ES) publicou que as facções “deixaram há muito tempo de atuar apenas no tráfico”.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) chamou a decisão de “golaço do Flávio Bolsonaro”. O detalhe é que Nikolas não apenas aplaudiu: ele foi durante um tempo relator do PL 1283/2025, projeto que classificava as facções como terroristas no Brasil e que, segundo a Agência Pública, abria brecha para intervenção americana.
A traição denunciada
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, expôs a hipocrisia: “Será que os EUA também vão classificar como terrorista a milícia do Rio de Janeiro ligada aos Bolsonaro?”. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) foi direto: “É uma enorme farsa já feita em outros países, em que os EUA buscam motivos para justificar intervenções. É resultado direto da ação traidora e irresponsável da família Bolsonaro”.
O vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), disse que a medida “terá consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, os investimentos estrangeiros, e é um ataque brutal à nossa soberania”. O deputado Bohn Gass (PT-RS) alertou que a classificação “pode criar espaço perigoso para os EUA interferirem na nossa soberania”.
Os Bolsonaros abriram a porta para a interferência militar americana e fizeram isso com aplausos e sorrisos. A soberania do Brasil foi oferecida em bandeja, e os traidores ainda posaram para foto.





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