Lula mira o cofre das facções, não só a ponta

Experiência do Rio antecipa conceitos da PEC da Segurança que aguarda o Senado

Por Redação
combate ao crime organizado
Lula durante apresentação das forças de segurança que atuam no Estado do Rio de Janeiro, no Pátio do Complexo da Polícia Rodoviária Federal, no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert.

O crime organizado não respeita fronteira, competência administrativa nem trabalha com informação fragmentada. A resposta do Estado, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também precisa ser integrada. No Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (18), Lula defendeu essa mudança de padrão no enfrentamento às facções, em visita ao Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A estratégia está na PEC da Segurança Pública, que aguarda votação no Senado, e se apoia no Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio. “Nós estamos tendo um novo começo para criar um novo padrão de segurança pública nesse país”, afirmou. O Rio, na leitura do presidente, é o ponto de partida. “É uma nova fotografia que pode virar a cara do Rio de Janeiro.”

O cofre, não só a ponta

O cerco tem três frentes: proteção dos corredores logísticos, reocupação territorial e fortalecimento da capacidade municipal. Mas o centro da aposta é a asfixia financeira, a mesma lógica que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu ao dizer que é preciso chegar aos “CEOs do crime organizado”. Sob Lula, a Polícia Federal apreendeu R$ 9,5 bilhões em bens das facções em 2025, recorde histórico, e o programa já causou prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão ao crime em 30 dias.

Lula foi direto ao ponto. “É que nem garimpo. Nós nunca conseguimos pegar o dono do garimpo”, comparou.

“O chefe do crime organizado possivelmente nunca conheceu a favela. Ele está no apartamento de cobertura, no condomínio, não tem que sujar as mãos.”

Território e rotas

A retomada territorial, porém, não termina quando a operação acaba. Os Planos Táticos de Reocupação combinam segurança com infraestrutura, desenvolvimento social e acesso à Justiça. “Não tem sentido bandido mandar numa favela. Tomar conta do clube do bairro”, constatou o presidente.

Nas rotas, o cerco mira as divisas com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. A Operação Protetor das Divisas, em 15 dias, abordou 12.246 pessoas, prendeu 93 adultos e apreendeu 1 tonelada de drogas, com prejuízo de R$ 3,58 milhões às facções.

Para Lula, a divisão entre as forças virou vantagem do crime. “Informação é poder e ninguém quer repartir o poder”, recordou. “Se o nosso sistema de segurança tem 300 comandos, 400 comandos fica mais difícil construir uma resposta comum.” O objetivo, definiu, é “dar tranquilidade ao povo que mora na periferia”. E a aposta é nacional: “se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional”.

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