Lembra do famoso áudio em que Nikolas Ferreira (PL-MG), o neofascista juvenil, chama Daniel Vorcaro de “Dani” — e não de “lindão”!!!, salientamos –? Pois bem, aquela mensagem tinha um objetivo: destravar um “ativo minerário” em Minas. O tom amistoso, quase flerte, com o banqueiro corrupto entrou para o anedotário nacional (veja vídeo abaixo). Mas aqui a gente volta os olhos para o resto da história. Para a mineração. E, acredite, aí é que a coisa fica feia.
O que Nikolas pediu candidamente a Vorcaro era ajuda para destravar um ativo de mineração que renderia milhões ao escritório do advogado que ele chama de irmão, Thiago Rodrigues de Faria, seu assessor jurídico. O problema: a lavra fica no distrito de Rodrigo Silva, em Ouro Preto, onde a Barragem de Água Fria, construída pelo método a montante, o mesmo de Mariana e Brumadinho, está entre as sete de maior risco de colapso do país. O MPF paralisou as operações por risco à população, e os 1.082 moradores do distrito convivem com o pavor de um rompimento. Os demais 73 mil habitantes de Ouro Preto estão a 21 quilômetros a jusante da barragem e não há garantia de que, depois de uma eventual ruptura, a tsunami de lama não chegaria até lá.
O contrato que esperava o destravamento
Em janeiro de 2025, dois meses antes do áudio de Nikolas a Vorcaro, o escritório de Thiago assinou com a GMAIS Ambiental um contrato de intermediação. A cláusula central: 25% do lucro de um negócio estimado em US$ 45 milhões. A ideia era obter a autorização para minerar numa lavra no distrito de Rodrigo Silva, perto de Ouro Preto, e depois vendê-la. A lavra é da Topázio Imperial e abriga a Barragem de Água Fria, construída pelo método a montante, o mesmo de Mariana e Brumadinho, e listada entre os barramentos de maior risco do país. Foi por isso que o MPF parou as atividades.
O histórico que desmonta o moralista
Não é a primeira vez que Nikolas se beneficia da mineração enquanto ataca adversários. Em novembro de 2024, ele denunciou a deputada Duda Salabert à Polícia Federal. O próprio assessor Thiago confirmou que elaborou a denúncia com informações de João Alberto Lages, preso na Operação Rejeito, que apura um esquema bilionário de fraude em licenças de mineração. Duda virou alvo do grupo por defender a Serra do Curral.
Em 2023, Nikolas e Jair Bolsonaro apoiaram a candidatura de Gilberto Horta de Carvalho à presidência do Crea-MG. A Polícia Federal o aponta como operador do esquema e “articulador interinstitucional da organização criminosa”. Foi com Gilberto que Thiago criou, em abril de 2024, o grupo de WhatsApp “Projeto Ferro” para discutir a transação da lavra.
A defesa que não explica nada
Seis meses depois do áudio, a Operação Rejeito prendeu 22 pessoas e bloqueou mais de R$ 1,5 bilhão. A GMAIS Ambiental, a empresa do contrato, apareceu como fachada, funcionando no endereço de uma clínica de estética em Belo Horizonte, com dois gestores ocultos: o delegado Rodrigo Teixeira e o consultor Gilberto Carvalho. Ambos presos.
Thiago diz que Nikolas “apenas forneceu o contato” de Vorcaro e que a negociação foi encerrada. Nikolas afirma não ter relação com o grupo. O moralista da Igreja da Lagoinha se curvou diante do dono do Master. A máscara caiu. E o que apareceu por baixo é corrupção, ambição e crime. A sabujice de Nikolas com Vorcaro poderia matar milhares de pessoas em Minas Gerais.
View this post on Instagram
