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Banco Central e Banco Master
A frente do BC, Campos Neto teria adotado uma política liberal de regulação bancária. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
ECONOMIA

TCU investiga se BC facilitou esquema no Banco Master

Política liberal demais de supervisão bancária seria o ovo da serpente

Enquanto o mercado financeiro celebrava a suposta autonomia técnica do Banco Central (BC) sob o comando de Roberto Campos Neto, uma bomba-relógio era armada nos bastidores do sistema bancário nacional. A liquidação do Banco Master expõe agora as vísceras de uma regulação frouxa e permissiva. Investigadores e técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam que a relação entre Banco Central e Banco Master foi marcada por omissões graves e flexibilizações normativas que permitiram à instituição de Daniel Vorcaro operar um esquema insustentável à luz do dia.

A apuração revela que o Master captava recursos oferecendo taxas estratosféricas, chegando a pagar até 140% do CDI — muito acima da média de mercado —, prática típica de pirâmides financeiras (esquema Ponzi) para atrair capital rápido e cobrir rombos anteriores. O mais grave: tudo isso ocorria sob a supervisão direta do BC, cujos fiscais acompanharam “passo a passo” a agonia da instituição, mas demoraram a intervir de forma definitiva.

O “Padrão Campos Neto” e o risco sistêmico

O foco das investigações do TCU recai sobre o que está sendo chamado de “Padrão Campos Neto” de regulação. Documentos indicam que a gestão anterior do BC promoveu uma série de flexibilizações para fintechs e fundos de investimento, criando brechas que foram exploradas pelo Master para alavancar operações de alto risco. A tese é que a fiscalização do Banco Central e Banco Master falhou deliberadamente ou por incompetência ao permitir que o banco continuasse captando recursos do público mesmo quando já apresentava sinais claros de insolvência.

A defesa do BC deve alegar que “deu todas as oportunidades” para o banco se recuperar, mas os fatos mostram o contrário: a demora na liquidação apenas aumentou o prejuízo. Quando a intervenção finalmente ocorreu, o rombo já era bilionário, consumindo cerca de um terço das reservas do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e lesando mais de 1,5 milhão de investidores e fundos de pensão estatais.

A conexão com o esquema Raeg

Outro ponto crítico na relação entre Banco Central e Banco Master é a conexão com a Raeg, empresa acusada de originar fundos compostos por “ativos podres” (créditos sem valor real). Advogados do Master tentarão provar que o banco não tinha relação com o esquema, mas a fiscalização do BC deveria ter detectado a contaminação dos balanços muito antes.

A suspeita é que a política de “olhos fechados” de Campos Neto para certas inovações financeiras acabou servindo de escudo para que o sistema bancário fosse usado para lavagem de dinheiro e fraudes estruturadas. O TCU promete agora um pente-fino nessas flexibilizações, buscando responsabilizar não apenas os gestores do Master, mas também as autoridades monetárias que permitiram que a farra acontecesse.

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