Embora o caso ainda esteja em fase de tratativas formais, a proposta de delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, já se sabe que entregará à Polícia Federal as cabeças do ex-governador bolsonarista do DF Ibaneis Rocha e da atual governadora mais bolsonarista ainda Celina Leão. A novidade é que uma terceira cabeça da tradicional política do DF entrou nas negociações da delação: o senador cassado Luiz Estevão, como os outros dois, igualmente bolsonarista.
Documentos preliminares indicam que Costa teria autorizado ou viabilizado repasses de R$ 17 milhões ao Brasiliense Futebol Clube, controlado por Estevão. O que isso tem a ver com as falcatruas do BRB com o Banco Master ainda não está claro. Mas a informação foi oferecida à PF pelos advogados do “PHC”.
O valor aparece acoplado a outras movimentações já descobertas pelos órgãos de controle. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou R$ 27,2 milhões enviados diretamente pelo Banco Master ao portal Metrópoles, também pertencente a Estevão, entre 2024 e 2025.
Estratégia da defesa pressiona o núcleo político do DF
A transferência de Costa para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a “Papudinha”, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou as expectativas sobre o acordo.
Longe da gestão penitenciária controlada pelo governo do Distrito Federal, a defesa argumenta que o local garantiria segurança para discutir “fatos delitivos” e manusear provas. O temor de monitoramento é explícito, já que Ibaneis e Celina são potenciais alvos da delação.
Os advogados de Costa também consideraram uma transferência para a Superintendência da Polícia Federal, mas a PF informou que não havia vagas. No prédio já está preso Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e acusado de pagar vantagens milionárias ao ex-presidente do BRB.
Delação pode reconstituir o prejuízo bilionário do BRB
A PF afirma que Costa recebeu promessa de até R$ 146 milhões em propina, incluindo imóveis de alto padrão, em troca da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Master — operação que hoje representa o maior rombo da história do BRB. Ao decretar a prisão preventiva, Mendonça classificou Costa como “peça essencial” do esquema e risco à produção de provas.




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