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BRB tenta sobreviver
BRB tenta sobreviver com captação, aporte e negociações com o FGC após o rombo de mais de R$ 20 bilhões causado pelas fraudes com o Master. Ilustração: FLIA
ECONOMIA

Rombo explode e BRB implora ajuda ao FGC

Banco tenta se reerguer com títulos, fundo e aporte bilionário

O BRB corre contra o tempo para sobreviver ao rombo deixado pelo esquema do Banco Master, após anos de gestão temerária sob o comando de Ibaneis Rocha no Distrito Federal. Em mais um movimento de emergência, o banco captou R$ 3 bilhões com a emissão de um título garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e aprovou um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. Os dois passos fazem parte de uma tentativa de recompor liquidez e impedir que a crise avance para um ponto sem retorno.

Chamado de DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial), o título funciona como uma espécie de CDB com proteção ampliada pelo FGC. Segundo o presidente do BRB, Nelson de Souza, a operação deu “fôlego imediato” ao banco, especialmente após a transferência de R$ 15 bilhões para um fundo gerido pela Quadra Capital, que assumiu ativos originados nas operações fraudulentas com o Master. O acordo prevê pagamento à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, o que reforçou a liquidez num momento crítico.

FGC É ACIONADO COMO SALVA-VIDAS

Mesmo com a captação, o BRB precisará de um aporte muito maior para cobrir o rombo — estimado entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões segundo auditorias independentes que revelamos nas últimas semanas. O banco já negocia com o FGC uma linha de crédito de R$ 6,6 bilhões. Ibaneis, antes de cair, havia pedido R$ 4 bilhões; a atual governadora, Celina Leão, acrescentou mais R$ 2,6 bilhões.

O Distrito Federal, acionista controlador com 53,71% das ações, não tem recursos em caixa para integralizar capital. A solução será via endividamento: emissão de debêntures, empréstimos e até venda de ativos. O BRB também estuda a criação de um fundo imobiliário com patrimônio público para reforçar a capitalização.

CAPITAL SOCIAL SOBE EM ATÉ R$ 8,8 BILHÕES

O aumento aprovado em assembleia eleva o capital mínimo para R$ 2,88 bilhões e pode chegar a R$ 11,161 bilhões no cenário máximo. Os acionistas agora têm prazo para decidir quanto integralizar, sob pena de diluição. No conselho de administração, foram homologados Nelson de Souza, Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito.

O banco ainda opera sob o risco de descumprir exigências prudenciais do Banco Central e precisa concluir a capitalização até 29 de maio. O esforço revela a dimensão da bomba herdada: um banco público hoje depende de socorro para não ser engolido pelo colapso provocado pelo Master.

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