BRB faz liquidação na Faria Lima para cobrir rombo

Banco Central pode intervir se a liquidação de ativos fracassar

BRB vende ativos na Faria Lima
Nelson de Souza, presidente do BRB, assumiu o cargo para tentar arrumar a bagunça com o Banco Master. Foto: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) montou uma verdadeira barraca de liquidação na Faria Lima. O banco estatal corre contra o tempo para salvar seu caixa. Consequentemente, uma força-tarefa tenta vender ativos para cobrir o rombo bilionário do Banco Master. O BRB oferece ao mercado um pacote altamente questionável. A instituição mistura produtos atraentes com lixo financeiro puro.

Os emissários do BRB pedem R$ 9 bilhões pelas carteiras do Credcesta. Contudo, eles tentam empurrar junto R$ 2 bilhões em títulos fraudados da Tirreno. Essa empresa falsificou as carteiras vendidas ao banco estatal. Além disso, a lista inclui participações em empresas ligadas a Nelson Tanure. Os papéis da Ambipar, Oncoclínicas, Aliança e Liga pouco animaram o mercado. Assim, o BRB encontra enorme ceticismo e desconfiança entre os investidores paulistas.

O banco conseguiu arrecadar R$ 5 bilhões vendendo suas próprias carteiras de crédito. No entanto, esse valor não resolve o problema estrutural. O BRB queima caixa diariamente desde a liquidação do Master. Portanto, a promoção na Faria Lima parece insuficiente para estancar a sangria. O banco injetou R$ 12,2 bilhões em carteiras que se revelaram fraudadas. Algumas previsões pessimistas calculam que o rombo total pode atingir R$ 15 bilhões.

A fuga política de Ibaneis Rocha

Além disso, a crise financeira engoliu o governador Ibaneis Rocha (MDB). O Governo do Distrito Federal (GDF) fechou 2025 com déficit de R$ 900 milhões. Dessa forma, o Palácio do Buriti não tem dinheiro para socorrer o banco. O projeto enviado à Câmara Legislativa pede R$ 6,6 bilhões em empréstimos. O governo oferece imóveis públicos como garantia para um consórcio liderado pela Caixa Econômica Federal. Mas nem o próprio Governo sabe o valor de mercado dos nove imóveis oferecidos como garantia do negócio. Muito menos a liquidez deles — dado que Brasília é uma cidade tombada e as regras de construção são rígidas, o que afasta o interesse de financistas por imóveis.

Por outro lado, o governo federal exige garantias reais e a confissão de culpa do governador. Ibaneis tenta empurrar a bomba para meados de abril. Ele quer deixar o abacaxi para a vice-governadora Celina Leão (PP). Por fim, o governador planeja deixar o cargo para disputar o Senado. Porém, Celina já avisou que não aceita essa herança maldita. Ela também disputará o governo do DF nas próximas eleições, se conseguir elegibilidade, já que está impossibilitada de concorrer, pelo envolvimento na Operação Dracon.

Nesse cenário, a base aliada derreteu. Deputados ligados a Celina e ao PL de Jair Bolsonaro rejeitaram o projeto de Ibaneis. A extrema direita anunciou uma chapa puro-sangue ao Senado com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. O governador ficou isolado politicamente. O Banco Central ameaça intervir ou federalizar o BRB até o final de março. A liquidação na Faria Lima é a última e desesperada cartada do banco brasiliense.


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