O escândalo financeiro do Banco de Brasília (BRB) ganhou novos e assustadores contornos nesta terça-feira (24). O Governo do Distrito Federal (GDF) alterou o projeto de lei enviado à Câmara Legislativa (CLDF). O texto original previa a entrega de doze imóveis públicos para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master. Contudo, a nova proposta reduziu a lista para nove propriedades. Além disso, o valor do pedido de socorro disparou. O governo agora pede autorização para empréstimos de até R$ 6,6 bilhões.
A mudança de última hora expõe o desespero do Palácio do Buriti. O presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), convocou os deputados para uma reunião do Colégio de Líderes na tarde de hoje. O objetivo era discutir a tramitação relâmpago do projeto. No entanto, a base aliada enfrenta um problema grave. O próprio GDF e a direção do BRB admitiram publicamente uma falha bizarra. Eles não sabem o valor de mercado dos nove imóveis oferecidos como garantia.
O líder do PT, Chico Vigilante, atacou o projeto de lei. Ele afirmou que a proposta não resolve o problema do banco. Além disso, o distrital exigiu punição para o maior escândalo da história do DF.

Chico Vigilante (PT) no plenário da Câmara Legislativa: punição para o maior escândalo da história do DF. Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF
Contudo, o golpe mais duro partiu da própria direita.
O deputado Thiago Manzoni, do PL, que não só apoiou a gestão Ibaneis desde o começo como foi um dos 14 que votaram pela aprovação da compra do Master pelo BRB, em novembro do ano passado, desta vez esculachou a proposta do governo.
Ele chamou o texto de “quase um cheque em branco”. Assim, o aliado natural de Ibaneis expôs a fragilidade do projeto. Manzoni destacou a ausência de valores dos terrenos listados. Ele também criticou a falta de transparência sobre o rombo. Portanto, o parlamentar declarou voto contrário à manobra do Buriti.
Ademais, a deputada Dayse Amarílio classificou o envio como “falta de consideração”. A líder do bloco PSOL/PSB apontou inúmeras dúvidas no texto. Ela questionou o tamanho da dívida real do banco estatal. Por fim, outros parlamentares também rejeitaram a entrega do patrimônio. Paula Belmonte (Cidadania), Gabriel Magno (PT), Fábio Felix (PSOL), Max Maciel (PSOL) e Ricardo Vale (PT) formaram um bloco contra o governo.
O escândalo do BRB derrete a base de Ibaneis e fortalece a oposição no DF. Este é o primeiro projeto sobre o caso BRB-Master a tramitar na Casa desde a Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
Pressão e novo pedido de impeachment
Por outro lado, a pressão sobre Ibaneis aumenta. A deputada Paula Belmonte protocolou um novo pedido de impeachment contra ele. A parlamentar acusa o chefe do Executivo de participação direta na aquisição do Banco Master.
Portanto, a tentativa de tratorar a entrega do patrimônio público esbarra na gravidade dos fatos. O governo tenta salvar o caixa do banco estatal a qualquer custo. Assim, a falta de transparência sobre o valor dos imóveis agrava a crise. O salto do rombo para R$ 6,6 bilhões transforma a votação em um campo minado. A população do Distrito Federal aguarda o desfecho dessa crise bilionária.
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