O crime organizado não respeita fronteira, competência administrativa nem trabalha com informação fragmentada. A resposta do Estado, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também precisa ser integrada. No Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (18), Lula defendeu essa mudança de padrão no enfrentamento às facções, em visita ao Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A estratégia está na PEC da Segurança Pública, que aguarda votação no Senado, e se apoia no Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio. “Nós estamos tendo um novo começo para criar um novo padrão de segurança pública nesse país”, afirmou. O Rio, na leitura do presidente, é o ponto de partida. “É uma nova fotografia que pode virar a cara do Rio de Janeiro.”
O cofre, não só a ponta
O cerco tem três frentes: proteção dos corredores logísticos, reocupação territorial e fortalecimento da capacidade municipal. Mas o centro da aposta é a asfixia financeira, a mesma lógica que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu ao dizer que é preciso chegar aos “CEOs do crime organizado”. Sob Lula, a Polícia Federal apreendeu R$ 9,5 bilhões em bens das facções em 2025, recorde histórico, e o programa já causou prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão ao crime em 30 dias.
Lula foi direto ao ponto. “É que nem garimpo. Nós nunca conseguimos pegar o dono do garimpo”, comparou.
“O chefe do crime organizado possivelmente nunca conheceu a favela. Ele está no apartamento de cobertura, no condomínio, não tem que sujar as mãos.”
Território e rotas
A retomada territorial, porém, não termina quando a operação acaba. Os Planos Táticos de Reocupação combinam segurança com infraestrutura, desenvolvimento social e acesso à Justiça. “Não tem sentido bandido mandar numa favela. Tomar conta do clube do bairro”, constatou o presidente.
Nas rotas, o cerco mira as divisas com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. A Operação Protetor das Divisas, em 15 dias, abordou 12.246 pessoas, prendeu 93 adultos e apreendeu 1 tonelada de drogas, com prejuízo de R$ 3,58 milhões às facções.
Para Lula, a divisão entre as forças virou vantagem do crime. “Informação é poder e ninguém quer repartir o poder”, recordou. “Se o nosso sistema de segurança tem 300 comandos, 400 comandos fica mais difícil construir uma resposta comum.” O objetivo, definiu, é “dar tranquilidade ao povo que mora na periferia”. E a aposta é nacional: “se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional”.
