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ECONOMIA

Dívida em 79% do PIB: o alívio vem em 2026 com a forte queda dos juros

Projeção de Selic mais baixa torna o endividamento brasileiro mais gerenciável e sustentável

O dado de que a dívida bruta do Brasil atingiu 79% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro, embora acenda um alerta, precisa ser analisado à luz de sua mais importante variável: o custo. Com a forte tendência de queda da taxa Selic para 2026 — de 15% para cerca de 12,5% ao ano —, o cenário para a dívida pública brasileira se torna substancialmente mais positivo, distanciando o país de uma crise de solvência e melhorando sua qualidade relativa no cenário global.

É fato que, em números absolutos, o endividamento do Brasil ainda é mais frágil que o de potências como o Japão (260% do PIB) e os Estados Unidos (125%). Esses países se beneficiam de dever a si mesmos, em suas próprias moedas e a juros baixíssimos, um privilégio que o Brasil não possui.

Enquanto isso, países como a Rússia (dívida abaixo de 20% do PIB) e a Indonésia (cerca de 40%) adotaram posturas fiscais mais conservadoras. A China, com uma dívida próxima a 90%, tem um modelo único, onde o Estado é ao mesmo tempo o maior devedor e o maior credor, controlando o sistema financeiro.

Na Europa, países como Itália (cerca de 140%) e França (cerca de 110%) possuem dívidas elevadas, mas contam com o guarda-chuva do Banco Central Europeu, o que mitiga o risco.

O alívio no horizonte: o efeito da queda da Selic

No entanto, a principal vulnerabilidade do Brasil sempre foi o custo de sua dívida. Com uma das taxas de juros reais mais altas do mundo, o efeito “bola de neve” — onde os juros nominais superam o crescimento da economia — sempre foi o grande fantasma fiscal do país. É exatamente este fantasma que começa a se dissipar.

A queda projetada para a Selic em 2026 representa um alívio de dezenas de bilhões de reais no serviço da dívida. Isso significa que o governo precisará de um esforço fiscal menor (superávit primário) apenas para estabilizar a trajetória do endividamento. Na prática, a “bola de neve” começa a derreter.

Com essa nova perspectiva, a dívida brasileira, embora ainda exija atenção, se torna mais gerenciável. A tendência, ao contrário do que o número isolado de 79% pode sugerir, passa a ser de estabilização e eventual queda, desde que a responsabilidade fiscal seja mantida.

Isso nos coloca em uma posição mais confortável que a de outros emergentes e até mesmo de países europeus com dívidas maiores e sem a mesma perspectiva de alívio nos juros.

O veredito, portanto, é mais otimista. O Brasil tem uma janela de oportunidade única. A queda da Selic não é apenas um alívio para o consumidor e para o crédito, mas o principal remédio para a saúde de nossas contas públicas. Se o país souber aproveitar essa oportunidade com disciplina fiscal e reformas que impulsionem o crescimento, o debate sobre a dívida pode, em breve, mudar de tom: de um problema crônico para uma questão sob controle.

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