A volta do feriado de Carnaval foi marcada por nervosismo no mercado financeiro, refletindo diretamente no bolso de quem acompanha a cotação da moeda americana. O dólar hoje (18) fechou em alta de 0,21%, vendido a R$ 5,24, após chegar a bater R$ 5,25 durante a tarde. Mas o que explica essa valorização em um dia de pregão mais curto, típico da Quarta-Feira de Cinzas?
O fator medo: Trump x Irã
O primeiro motivo é a geopolítica. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a subir o tom contra o Irã, com a Casa Branca afirmando ter “vários argumentos” para um possível ataque ao país.
Quando há risco de guerra ou instabilidade global, a reação imediata dos investidores é a aversão ao risco. Eles tiram dinheiro de países emergentes (como o Brasil), considerados mais arriscados, e correm para a segurança do dólar. É a lei da oferta e da procura: com mais gente comprando dólares para se proteger, o preço da moeda sobe frente ao real. Foi exatamente esse movimento de “fuga para a segurança” que impulsionou o dólar hoje.
O fator juros: a ata do Fed
O segundo motivo é técnico, mas igualmente poderoso. O Banco Central dos EUA (Federal Reserve, ou Fed) divulgou a ata de sua última reunião, revelando que a economia americana está mais forte do que se imaginava, especialmente no mercado de trabalho.
Isso é ruim para o real? Sim, e eu explico por quê. Se a economia dos EUA está aquecida, a inflação por lá tende a subir. Para controlar isso, o Fed precisa manter os juros altos por mais tempo. Juros altos nos EUA atraem capital do mundo todo para os títulos do Tesouro americano (os mais seguros do planeta). O resultado é uma drenagem de dólares do Brasil para os EUA, o que faz a cotação do dólar hoje disparar por aqui.
Enquanto o cenário externo pressionava o câmbio, a Bolsa de Valores brasileira (B3) também sofreu. O índice Ibovespa caiu 0,24%, fechando aos 186.016 pontos, prejudicado pela queda nas ações de mineradoras devido à desvalorização do minério de ferro. Sem notícias econômicas relevantes no Brasil, ficamos à mercê do humor internacional.






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