A economia do Brasil cresceu em 2025, mas em um ritmo mais lento do que no ano anterior. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Banco Central, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) – considerado uma “prévia do PIB” – subiu 2,5%. O número é positivo, mas fica abaixo dos 3,4% registrados em 2024.
Para entender por que o país “desacelerou”, é preciso olhar para dois fatores principais: quem empurrou o carro da economia e quem puxou o freio de mão.
Quem empurrou: a força do campo
Se a economia brasileira fosse um time, o craque de 2025 foi, sem dúvida, a Agropecuária. O setor teve um crescimento impressionante de 13,1%.
Para se ter uma ideia do peso disso: se tirássemos o campo da conta e olhássemos apenas para a indústria, comércio e serviços, o crescimento do Brasil teria sido de apenas 1,8%. Ou seja, foi a safra recorde e a produção no campo que garantiram que o número final fosse mais robusto, compensando o desempenho mais tímido da Indústria (+1,5%) e dos Serviços (+2,1%).
Quem freou: o preço do controle da inflação
Mas por que crescemos menos que em 2024? A resposta está na taxa de juros, a Selic, que hoje está em 15% ao ano – o maior nível desde 2006.
Funciona assim: para evitar que os preços disparem (inflação), o Banco Central aumenta os juros. Com juros altos, o crédito fica caro. Fica difícil para você financiar um carro ou para uma empresa comprar máquinas novas. Com menos gente comprando e investindo, a economia esfria.
Foi exatamente isso que aconteceu. O Banco Central manteve os juros altos propositalmente para garantir que a inflação ficasse dentro da meta (fechou em 4,44%). O “remédio amargo” funcionou para segurar os preços, mas o efeito colateral foi uma economia menos dinâmica do que no ano anterior.
O que vem agora?
O Banco Central já sinalizou que deve começar a cortar os juros em março, o que pode baratear o crédito e reaquecer o consumo aos poucos. No entanto, o aviso foi claro: as taxas ainda continuarão em níveis que restringem o crescimento por um tempo, pois o mercado de trabalho segue aquecido e há receio de que a inflação volte a subir.
Em resumo: 2025 foi o ano em que o Brasil cresceu puxado pelo Agro, mas com o freio de mão dos juros puxado para não derrapar na inflação. O resultado oficial do PIB, calculado pelo IBGE, sai no dia 3 de março e deve confirmar essa tendência antecipada pelo Banco Central.






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