Nos anos de 2019 a 2022, sob a gestão de Jair Bolsonaro, a Petrobras foi palco de um processo de desmonte sistemático que prometia eficiência, mas entregou um pesado custo aos cidadãos. Essa estratégia, baseada em privatizações e redução da participação estatal, não apenas encareceu o gás de cozinha e os combustíveis, elementos essenciais na vida dos brasileiros, mas também comprometeu a soberania energética e a capacidade produtiva nacional. O resultado foi uma disparada nos preços que atingiu diretamente o poder de compra da população, gerando um cenário de profunda desigualdade e precarização.
O movimento de fatiamento da estatal não foi aleatório; ele seguiu uma lógica de retirada da Petrobras de setores estratégicos e lucrativos, impactando diretamente o abastecimento e os preços internos. A narrativa oficial falava em quebrar monopólios e aumentar a competitividade, contudo, a prática demonstrou um caminho inverso, consolidando monopólios privados e elevando o custo de vida. A série de vendas e paralisações afetou desde a produção de fertilizantes até a distribuição de derivados, configurando um cenário desfavorável para a economia popular.
Um dos primeiros golpes foi a retirada da Petrobras do setor de fertilizantes. Em 2019, o governo Bolsonaro iniciou a hibernação das Fábricas de Fertilizantes (Fafens) da Bahia e de Sergipe, culminando no fechamento da Fafen Paraná em 2020, o que resultou em mais de mil trabalhadores desempregados. As obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) de Três Lagoas também foram paralisadas. Em um movimento contraditório, o Brasil passou a importar fertilizantes da Rússia, enquanto sua capacidade de produção interna era desativada. Recentemente, o governo Lula reabriu a unidade paranaense, buscando reverter o quadro.
O fornecimento de gás de cozinha, item de primeira necessidade, também foi diretamente impactado. No final de 2020, a Liquigás, empresa essencial para a distribuição de gás domiciliar, foi privatizada e vendida a um consórcio privado. Essa transição resultou em um aumento direto no preço do produto, pesando no bolso de milhões de famílias. Sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), como o Sindipetro Unificado, organizaram ações de distribuição de gás a preço justo para denunciar a espoliação e os efeitos da privatização.
A política de desinvestimento prosseguiu com a venda da totalidade da participação da Petrobras na BR Distribuidora, concluída em junho de 2021. Detentora de mais de 8 mil postos de combustíveis pelo país, a saída da estatal desse segmento estratégico significou a perda de uma importante ferramenta de regulação de mercado e de influência na política de preços, abrindo espaço para a predominância de interesses privados no setor de distribuição.
O ponto mais crítico desse processo talvez tenha sido a venda de refinarias entre 2021 e 2022. Quatro unidades foram entregues à iniciativa privada: a Refinaria de Mataripe (Rlam) na Bahia, a Refinaria de Manaus (Reman) no Amazonas, a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) no Paraná e a Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC) no Rio Grande do Norte.
Alegado um eventual “aumento da competitividade”, a realidade foi a redução da capacidade nacional de refino e a elevação dos preços dos combustíveis, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde as novas donas consolidaram monopólios regionais, exatamente o oposto do que foi prometido. Vale ressaltar que o governo anterior colocou à venda 8 das 13 refinarias da estatal, revelando a extensão do plano de desmonte.
Enquanto a Petrobras era fatiada e sua capacidade de atuação reduzida, os acionistas colhiam dividendos recordes. Em apenas dois anos, lucraram R$ 316 bilhões, superando o próprio lucro líquido da empresa.
A população, por outro lado, arcava com a explosão dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, impulsionados pelo polêmico Preço de Paridade de Importação (PPI).
Este mecanismo atrelava os preços dos derivados ao dólar e às cotações internacionais do petróleo, mesmo que produzidos em território nacional e com custos em real, desconsiderando a realidade econômica brasileira e sacrificando o poder de compra dos trabalhadores.
[TEM AINDA O CASO DOS GASODUTOS…]
Em 2019, a corrida privatizando do governo Bolsonaro vendeu 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) por US$ 8,6 bilhões. Contraditoriamente, para manter suas operações, a Petrobras hoje desembolsa cerca de R$ 3 bilhões anuais para alugar esses mesmos dutos. Essa manobra, que transformou ativos em passivos, é vista como um grave prejuízo ao patrimônio público e à soberania energética, penalizando o Brasil e seus cidadãos com custos bilionários e uma dependência onerosa de infraestruturas que antes eram próprias.






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