O Exército do Irã derrubou neste domingo (20) um drone de reconhecimento Orbiter dos Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, a rota marítima que escoa um quinto da demanda mundial de petróleo. O abate foi feito por sistemas de defesa aérea de fabricação iraniana, instalados no sudeste do país, e integrados à rede de defesa antiaérea nacional. É o mais recente de uma série de aeronaves americanas destruídas pelas forças armadas iranianas desde o início da agressão.
A agressão que não para
O abate do Orbiter ocorre em meio à escalada da guerra imposta ao Irã pelos Estados Unidos e por Israel, iniciada em 28 de fevereiro. Na quinta-feira (17), a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica derrubou o 53º drone americano MQ-9 desde o começo da agressão, sobre a ilha de Qeshm, usando um novo sistema de defesa aérea sob controle da rede integrada iraniana.
O porta-voz das Forças Armadas iranianas, brigadeiro-general Abolfazl Shekarchi, rejeitou no sábado (19) as “falsas e ridículas” alegações americanas sobre o estreito. “A iniciativa na via estratégica está firmemente nas mãos do Irã”, afirmou.
A torneira do petróleo
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, foi taxativo: o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos reconheçam os direitos da República Islâmica e cumpram as condições para encerrar a guerra.
“O inimigo sabe muito bem que o caminho da decepção e da coerção unilateral está fechado”, disse em sessão parlamentar que marcou a Semana da Defesa Sagrada, em referência à guerra de oito anos imposta pelo ditador iraquiano Saddam Hussein nos anos 1980.
O presidente da Câmara dos Deputados do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf. Foto: PressTV
Em 17 de junho, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento intermediado pelo Paquistão, cujo artigo 5 coloca nas mãos do Irã a responsabilidade de reabrir e administrar o estreito. Os Estados Unidos, porém, retomaram os bombardeios e impuseram um bloqueio naval, violando o acordo. A resposta iraniana foi declarar a rota fechada a todo o tráfego.
Qalibaf resumiu a estratégia: “Devemos lutar racionalmente e a partir de uma posição de força, e negociar com confiança e pragmatismo quando chegar a hora”. Para ele, a velha ordem americana no Oriente Médio ruiu, e cabe aos países muçulmanos da região moldar a nova ordem. O império que tenta ditar os termos encontrou, no estreito, quem segura a chave.
