Trump dá cascudo em Israel e Irã libera Estreito de Ormuz

Teerã liberou navegação após cessar-fogo no Líbano

Por Redação com reportagem da Agência Brasil
Estreito de Ormuz
Navio cargueiro fotografado ao largo da cidade costeira de Fujairah, no Estreito de Ormuz, nos Emirados do Norte, em 25 de fevereiro de 2026. Foto: PressTV

O presidente neofascista dos EUA, Donald Trump, foi obrigado pelas circunstâncias a anunciar um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano. “Israel está proibido de bombardear. Chega”, disse ele. A trégua foi tratada por Teerã e pelo Hezbollah como resultado da resistência armada e da pressão política do chamado Eixo da Resistência. Na sequência do acordo, o Irã informou que o Estreito de Ormuz foi reaberto para navios comerciais pelo período restante do cessar-fogo, numa decisão ligada diretamente à retomada das negociações com Washington.

A movimentação expõe a fragilidade da narrativa de Trump, que tenta capitalizar politicamente uma trégua que não pacificou a região nem resolveu a guerra em curso. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, confirmou que a passagem para navios comerciais está “completamente aberta” durante o período restante do cessar-fogo. A medida tem impacto imediato sobre uma rota por onde circulam cerca de 20% do petróleo do planeta.

Trégua sob pressão

O governo iraniano e o Hezbollah afirmam que o cessar-fogo no Líbano decorre da união e da capacidade de combate do Eixo da Resistência, formado por grupos contrários à política da aliança neofascista (Estados Unidos e Israel) no Oriente Médio.

O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, afirmou que “a Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ismail Baghaei, disse que o cessar-fogo foi fruto direto dos esforços diplomáticos de Teerã.

No lado libanês, o Hezbollah afirmou ter realizado 2.184 operações militares em 45 dias de combates. O partido militarizado também advertiu:

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”.

Israel segue sem cumprir

Enquanto Trump tenta vender o acordo como gesto de liderança, Israel continuava bombardeando o Líbano e resistia a qualquer compromisso real com a trégua. O próprio histórico da guerra mostra que acordos anteriores foram violados por Tel Aviv, inclusive o cessar-fogo costurado em novembro de 2024. Agora, o novo arranjo foi imposto sob pressão, sem garantir o fim da agressão nem o respeito às fronteiras libanesas.

Na prática, o que a Casa Branca apresenta como pacificação é mais um capítulo da velha diplomacia imperial: primeiro a ameaça, depois a chantagem, e por fim a tentativa de transformar recuo tático em vitória estratégica.

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