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fim da escala 6x1
Comissão Especial aprova por 34 votos a 4 a proposta de emenda constitucional que acaba com a escala 6x1 e institui a escala 5x2. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
BRASIL

PL vota contra a 6×1 e chora nas redes sociais

Patronato corre ao Senado para adiar fim da escala de 6 dias

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27), por 34 votos a 4, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com transição para o modelo 5×2 sem redução salarial. Mas o avanço histórico da pauta operária precisou passar por cima de um verdadeiro festival de hipocrisia e desespero protagonizado pelo Partido Liberal (PL) e pelo partido Novo no plenário e nas redes sociais.

Enquanto o líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), tentava fazer uma pirueta retórica nas redes sociais para fingir que o partido apoiava a pauta, a tropa de choque bolsonarista operava nos bastidores para esvaziar o projeto.

O garoto de recados do neofascismo, Nikolas Ferreira (PL-MG), correu para o Instagram para propor um raciocínio ainda mais tortuoso. “Explicou” que o partido apoiaria a proposta original da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que previa uma escala de quatro dias de trabalho e três de descanso, para entrar em vigor antes da eleição. “Quando der m&rda”, falou, com a falta de modos habitual, “todo mundo vai saber que a culpa é deles e vai votar diferente.” O joguete era evidente: eles queriam gerar uma reação ainda mais vigorosa do empresariado, para atrasar a votação da proposta. Deu em nada.

A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) e os deputados Maurício Marcon (PL-RS), Osmar Terra (PL-RS) e Gilson Marques (Novo-SC) formaram o quarteto que votou contra o trabalhador na comissão. Não satisfeitos com o voto contrário, eles assinaram a chamada “emenda das 52 horas”, uma aberração jurídica desenhada para permitir jornadas ainda mais extenuantes do que as atuais.

O desespero da tiara de flores e o lobby do PIB

O voto contra o fim da escala 6×1 gerou um desgaste político imediato para a bancada da extrema direita. Julia Zanatta, famosa por posar com armas e tiaras de flores enquanto destina emendas para clubes de tiro de amigos, passou o dia sendo fustigada por seus próprios eleitores nas redes sociais e reagiu com o habitual vitimismo. O desespero se justifica: votar a favor da escravidão moderna em ano eleitoral é um erro de cálculo que nem o algoritmo do gabinete do ódio consegue consertar.

Paralelamente ao teatro do absurdo no plenário, a elite econômica brasileira acionou o plano de emergência no Senado Federal. Ao longo da tarde, uma comitiva de 30 líderes empresariais, encabeçada por Paulo Skaf, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), correu para o gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O objetivo do lobby patronal é explícito: adiar a votação da PEC para depois das eleições de 2026, sob a desculpa de que o calendário eleitoral “prejudica a profundidade técnica do debate”.

O choro dos patrões e o caminho do plenário

Acompanhados por senadores da oposição como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), os dirigentes industriais pediram um período de transição mais longo do que os 14 meses previstos no texto e a indicação de um relator que não dispute as eleições deste ano.

Skaf chegou a classificar a tramitação na Câmara como “açodada”, argumentando que nenhuma empresa tem capacidade de aumentar a produtividade no curto prazo. Como de costume, a preocupação com a saúde física e mental do trabalhador que cumpre jornadas extenuantes passou longe da mesa de negociações da alta-roda brasiliense.

Apesar das manobras da bancada da bala e do lobby do PIB, a PEC agora segue forte para o plenário da Câmara, onde precisará de 308 votos em dois turnos. A tentativa do PL de criar uma realidade paralela onde defendem o trabalhador enquanto assinam emendas para aumentar a jornada para 52 horas semanais virou piada de mau gosto. O avanço da matéria prova que, quando a classe trabalhadora se organiza, nem o choro dos patrões no Senado e nem o teatro da extrema direita na Câmara conseguem segurar a história.

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