A Justiça do Distrito Federal determinou nesta quinta-feira (26) o bloqueio de R$ 376,4 milhões em ações do Banco de Brasília (BRB). A medida cautelar, concedida pela 13ª Vara Cível, atinge empresários e fundos de investimento ligados ao Banco Master. O objetivo é garantir o ressarcimento aos cofres públicos após a descoberta de um esquema de fraudes investigado pela Operação Compliance Zero.
O escândalo revela uma manobra sofisticada no mercado financeiro. Segundo as apurações, grandes operadores utilizaram terceiros — os chamados “laranjas” — para adquirir de forma oculta 25% do capital do banco estatal. A lista de alvos do bloqueio inclui Daniel Vorcaro, dono do Master; o ex-sócio Maurício Quadrado; o investidor Nelson Tanure; e João Carlos Mansur, fundador da Reag.
Essa infiltração societária pavimentou o caminho para um negócio desastroso. Sob a gestão anterior, o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras do Master, operações que hoje estão marcadas por provas robustas de fraude e crime financeiro. A estimativa inicial aponta um rombo de R$ 5 bilhões, cifra que deve ser detalhada e confirmada na divulgação do próximo balanço financeiro, em março.
Alertas ignorados e intervenção
A sangria do dinheiro público só foi freada pela intervenção de órgãos de controle. Em setembro de 2025, o Banco Central (BC) rejeitou a tentativa do BRB de comprar 58% do Master. O mercado já via a transação com desconfiança devido ao modelo de captação arriscado e aos ativos inflados da instituição privada. Antes disso, o Ministério Público Federal (MPF) havia alertado a diretoria do banco público sobre o risco de passivos ocultos, mas as recomendações foram solenemente ignoradas.
A negligência custou caro. A Polícia Federal (PF) deflagrou a ofensiva em novembro, o que resultou na queda e posterior demissão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e na abertura de investigação sobre o governador Ibaneis Rocha. Atualmente, o banco conduz uma devassa interna liderada pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria Kroll.
Hoje, com o Banco Master em liquidação extrajudicial, o BRB corre contra o tempo para recompor sua liquidez. O arresto das ações representa a primeira vitória jurídica de uma instituição que agora tenta reaver, nos tribunais, os bilhões drenados de seu caixa.






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