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ECONOMIA

Governo lança AgroAmigo, R$ 1 bi em microcrédito para agricultura familiar

Metade do orçamento vai para o Norte, metade para o Centro-Oeste, e oferece empréstimo com juro de 0,5% ao ano

O Governo Lula lançou nesta segunda-feira (25) o AgroAmigo – Microcrédito pertinho da gente. Trata-se de um novo programa de microcrédito que, pela primeira vez na história, direciona recursos dos fundos constitucionais de desenvolvimento para a agricultura familiar. Será R$ 1 bilhão para tanto, sendo metade do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e metade do Fundo Constitucional do Norte (FNO). 

Os empréstimos do AgroAmigo tem juro de 0,5% ao ano, prazo de três anos para pagar e desconto de até 40% nas parcelas pagas em dia. Cada família pode pegar até R$ 35 mil, sendo R$ 15 mil para a mulher, R$ 12 mil para o homem e R$ 8 mil para um filho entre 18 e 29 anos. 

Até então, todos os empréstimos dos fundos constitucionais eram direcionados a grandes operações do agronegócio.

Agora, pequenos produtores rurais, que muitas vezes não têm acesso a grandes bancos, conseguiram o apoio financeiro necessário para fazer suas atividades crescerem. A relevância é imensa: ao apoiar esses trabalhadores, o programa não só gera renda e melhora a qualidade de vida, como também fortalece a produção de alimentos, diminui as desigualdades sociais e movimenta a economia local.

A jornada para tornar o AgroAmigo uma realidade nacional começou com o sucesso inegável do programa no Nordeste, onde hoje movimenta quase R$ 10 bilhões em operações de microcrédito, considerado um dos modelos mais eficientes da América Latina.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) celebrou a expansão em Brasília, marcando um momento histórico. Desde a Constituição de 1988, com a criação dos Fundos Constitucionais, nunca houve um programa de microcrédito com subsídio tão abrangente para a Amazônia e o Centro-Oeste. O ministro Waldez Góes destacou a importância:

“Não é só o microcrédito que promove geração de renda, diminuição de desigualdades, e crescimento dos indicadores socioeconômicos.”

Ele também lembrou que, ao contrário de outros programas do governo, como o PNAE e o PAA que compram de pequenos produtores, a política de microcrédito ainda não era tão difundida para que a produção não ficasse concentrada nas mãos de poucos.

Em 2024, o MIDR iniciou uma fase experimental com um investimento de R$ 300 milhões no Norte e Centro-Oeste, unindo forças com a Caixa Econômica Federal, que se junta ao Banco do Brasil e Banco da Amazônia. A meta é ambiciosa: alcançar 100 mil famílias do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com o R$ 1 bilhão anunciado para julho.

Paulo Rocha, superintendente da Sudam, ressaltou o papel dos Conselhos Deliberativos na implementação: “À medida que fazemos chegar essa política pública ao pequeno produtor, não apenas o estamos integrando ao processo de crédito, para que ele possa produzir mais, como também estamos planejando um desenvolvimento em que o pequeno terá papel fundamental.”

O AgroAmigo é para todos: assentados, ribeirinhos, extrativistas, pescadores, indígenas e quilombolas, desde que a renda bruta anual da família não ultrapasse R$ 50 mil e se dediquem à agricultura de subsistência. Os limites de crédito são justos e pensados nas realidades de cada um: até R$ 15 mil para mulheres, R$ 8 mil para jovens (18 a 29 anos) e R$ 12 mil para homens. Assim, uma mesma família pode ter acesso a até R$ 35 mil, somando os valores de seus membros elegíveis.


ANÁLISE COMPARATIVA: MICROCRÉDITO NO MUNDO E NO BRASIL

O microcrédito é uma ferramenta poderosa e globalmente reconhecida para combater a pobreza e impulsionar o desenvolvimento. Sua popularização se deu com Muhammad Yunus, em Bangladesh, e seu Grameen Bank, que mostrou ao mundo como pequenos empréstimos podem empoderar milhões de pessoas sem acesso ao sistema bancário tradicional. Enquanto muitos programas internacionais focam na autonomia financeira, o AgroAmigo brasileiro se destaca pela forma como é estruturado: com subsídios diretos e utilizando os Fundos Constitucionais, que são recursos públicos destinados ao desenvolvimento regional. Essa abordagem integrada, que combina apoio financeiro com uma política de desenvolvimento social e regional, é menos comum em outros países, onde o microcrédito muitas vezes opera com menos subsídios e mais foco na sustentabilidade comercial. A expansão do AgroAmigo para o Norte e Centro-Oeste preenche uma lacuna histórica nessas regiões, que, diferentemente do Nordeste, não possuíam modelos de microcrédito subsidiados e em larga escala. Esse movimento coloca o Brasil em uma posição de liderança em políticas públicas de inclusão financeira rural com um forte impacto social.

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