O governador Ibaneis Rocha (MDB) tem poucas horas para apresentar ao Banco Central a solução para o desastre de R$ 5 bilhões. Termina hoje o prazo para que o Banco de Brasília (BRB) detalhe como recomporá seu caixa após o rombo deixado pelas operações fraudulentas com o Banco Master. Se não o fizer, o BRB corre sério risco de sofrer uma intervenção e sair do controle do Governo do Distrito Federal.
Na prática, a conta será paga com patrimônio público. Para cumprir a exigência do BC e evitar uma intervenção, o GDF planeja criar um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo e realizar aportes diretos. Ou seja, prédios e terrenos que pertencem à população, além de recursos que deveriam ir para saúde e educação, serão queimados para cobrir o prejuízo bancário.
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A Engenharia do Socorro
O plano de salvamento, que deve ser executado em seis meses, exige aval político. Nesse cenário, Ibaneis conta com sua ampla maioria na Câmara Legislativa do DF (CLDF) para aprovar a transferência de recursos sem grandes obstáculos.
Em comunicado recente, o banco listou as “alternativas viáveis” para não quebrar:
- Entrega de Imóveis: Criação de um fundo com ativos do GDF para inflar o patrimônio do banco.
- Dinheiro Vivo: Aporte direto do Tesouro distrital (o GDF detém 71,92% das ações).
- Empréstimo: Busca de socorro junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A Origem do Buraco
A crise de liquidez do BRB não é obra do acaso. Vale lembrar que, entre 2024 e 2025, o banco estatal injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, em uma operação que teve o apoio público de Ibaneis Rocha.
O Ministério Público apura indícios de gestão fraudulenta. As investigações revelaram que o BRB gastou bilhões comprando carteiras de crédito “podres”. Pior: o Master havia comprado esses mesmos papéis por metade do preço e os revendeu ao banco brasiliense com ágio absurdo, recebendo à vista.
Consequentemente, essas “inconsistências” corroeram o balanço do BRB. O Banco Master foi liquidado em novembro, mas o prejuízo ficou no colo do contribuinte de Brasília.
Risco Sistêmico e Impunidade
Técnicos afirmam que o BRB não corre risco imediato de falência apenas por um motivo: o Estado é o fiador. Contudo, essa “segurança” custa caro. O reforço de capital exigido pelo BC é essencial para manter o banco operando dentro da lei, mas drena a capacidade de investimento do Distrito Federal.






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