O bitcoin tenta sustentar a retomada acima de US$ 74 mil enquanto o choque do petróleo volta a pressionar a inflação norte-americana e embaralha as apostas sobre juros. A criptomoeda encerrou a última semana acima de US$ 74,5 mil, acumulou alta de 3,7% e chegou a tocar US$ 75 mil nesta terça-feira.
Mas o pano de fundo continua duro: o CPI de março nos Estados Unidos veio acima do esperado, com a gasolina puxando a inflação para cima, justamente num momento em que o mercado ainda digere a fragilidade do cessar-fogo com o Irã e seus efeitos sobre a energia global.
A sustentação do Bitcoin não veio do vazio. Os ETFs à vista da criptomoeda nos Estados Unidos registraram US$ 833 milhões em entradas líquidas na semana encerrada em 13 de abril, o melhor fluxo semanal do ano.
Incluindo outros produtos de investimento em cripto, o total chegou a US$ 1,1 bilhão, e o saldo acumulado no ano voltou ao campo positivo pela primeira vez desde janeiro. Em outras palavras: o dinheiro institucional segue entrando, mesmo com o ruído macroeconômico.
Inflação dos EUA pesa mais do que parece
O problema é que a inflação norte-americana voltou a mostrar a cara onde mais dói: na energia. O CPI de março subiu 0,9% no mês e acumulou 3,3% em 12 meses, o maior nível desde abril de 2024.
O vetor principal foi a gasolina, que avançou 21,2% no mês, maior salto mensal desde 1967, em reflexo direto das tensões no Estreito de Ormuz. Ainda que o núcleo do CPI tenha avançado só 0,2% no mês e 2,6% em 12 meses, o mercado passou a enxergar menos espaço para alívio.
O PPI também veio mais contido na margem, mas não o bastante para apagar a mensagem política e econômica do quadro: o Federal Reserve ganhou ainda menos margem para cortar juros. O CME FedWatch passou a precificar 98,4% de chance de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% na reunião de abril, e a expectativa para 2026 ficou em apenas um corte.
O risco continua aberto
No curto prazo, o Bitcoin transformou a faixa entre US$ 72 mil e US$ 74,4 mil em nova base. Acima disso, a próxima resistência fica entre US$ 75 mil e US$ 76 mil. Se houver correção, os US$ 72 mil viram o primeiro suporte relevante, e US$ 70 mil segue como defesa principal.
O quadro geral é este: a liquidez institucional ajuda, mas a inflação dos EUA, puxada pelo petróleo, ainda dita o humor dos mercados. Enquanto a energia continuar contaminando os preços, o Bitcoin pode até subir, mas sobe olhando para trás.






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