Vamos explicar isso sem enrolação, porque é mais simples do que parece. Inflação é o quanto os preços sobem de um mês para o outro. Quando ela é negativa, significa que os preços, em média, caíram. E foi exatamente isso que aconteceu em agosto: a prévia da inflação fechou em -0,40%, a menor desde 2020.
Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a primeira deflação, ou seja, inflação negativa, desde agosto de 2025. Em julho, o indicador tinha marcado 0,06%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 soma 4,24%.
Por que os preços caíram?
Dois fatores principais puxaram os preços para baixo. O primeiro é a conta de luz. O preço da energia elétrica residencial recuou 6,25%, por causa do Bônus de Itaipu, um desconto que os consumidores receberam na fatura. O segundo é a comida: o grupo de alimentação e bebidas caiu 0,57%, com a alimentação dentro de casa ficando 0,97% mais barata.
Olha o tamanho da queda nos alimentos: tomate -27,38%, batata-inglesa -25,14%, cenoura -17,05% e café moído -2,31%. Não é piada, é o preço real caindo no mercado. O grupo de transportes também ajudou, com a passagem aérea recuando 13,30% e os combustíveis caindo 1,43% no mês, incluindo etanol (-3,63%), gasolina (-1,23%) e óleo diesel (-0,71%).
O que isso tem a ver com juros?
Tudo. O Banco Central (BC) usa a inflação como bússola para definir a taxa básica de juros, a Selic. Quando a inflação está alta, ele segura os juros lá em cima para esfriar a economia. Quando a inflação cai, abre espaço para cortar os juros. E é exatamente isso que vem acontecendo: o Comitê de Política Monetária (Copom) já cortou a Selic quatro vezes seguidas, de 14,25% para 14% ao ano.
Com a inflação em queda, a tendência é os juros caírem ainda mais. E juro menor tem efeito duplo no bolso do trabalhador: o crédito fica mais barato, e o governo gasta menos pagando juros da dívida pública, sobrando mais dinheiro para investir em saúde, educação e salário. A cada corte de 0,25 ponto, o Tesouro Nacional economiza bilhões.
Preço controlado com emprego em alta
E aqui entra a parte que a direita não quer enxergar. Tem gente que tenta vender a ideia de que preço baixo é sinal de crise, de economia parada. É mentira. O Brasil está com a inflação caindo e, ao mesmo tempo, com o mercado de trabalho no melhor momento da história: são mais de 10 milhões de empregos formais criados desde janeiro de 2023, com 62,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Enquanto isso, a Faria Lima chora e a oposição torce o nariz. Mas os números não mentem: tomate 27% mais barato, gasolina caindo, conta de luz com desconto, emprego em alta e juro caindo. O “caos” que a direita previu virou deflação de verdade, daquelas que o trabalhador sente no bolso quando faz compra no mercado.






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