Faltam 12 dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O tema “educação” expõe o tamanho da escolha que o eleitor tem pela frente. De um lado, o governo Lula investiu R$ 21 bilhões no Pé-de-Meia, beneficia 7,2 milhões de estudantes, com redução drástica no abandono escolar, criou 124 institutos federais e conectou mais de 100 mil escolas. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) propõe desvincular a educação do mínimo constitucional e corrigir os pisos apenas pela inflação. Isso porque o ex-presidente golpista Jair Bolsonaro construiu apenas 16 institutos federais em todo o seu governo e, em plena pandemia, teve a suprema crueldade de vetar o projeto de internet nas escolas públicas, privando o filho dos pobres de estudar on-line, como fizeram os ricos. O filho Bolsonaro herda o desprezo do pai pela educação e o transforma em documento.
O programa Pé-de-Meia, criado em 2024, virou a maior política de permanência escolar da história do país. O abandono no ensino médio caiu de 6,4% em 2022 para 2,5% em 2025, uma redução de 61%. Não é efeito de sorte: é dinheiro público colocado na mão do jovem para ele continuar estudando em vez de ser empurrado para o trabalho precário aos 15 anos.
O programa que a direita chamou de esmola
A extrema direita chamou o Pé-de-Meia de “bolsa esmola” e “compra de voto”. Os números responderam: menos 61% de abandono em três anos. Enquanto isso, o mesmo campo que chama política pública de esmola vetou, em março de 2021, o projeto que garantia internet gratuita para alunos e professores da rede pública no meio da pandemia. O Congresso precisou derrubar o veto para o estudante ter direito à conexão.
Nos institutos federais, a discrepância é um retrato do desprezo. Jair Bolsonaro criou 16 unidades em quatro anos. Lula criou 124, mais de sete vezes. E, na conectividade, o contraste se completa: o ex-presidente vetou até a internet escolar; o atual conectou mais de 100 mil escolas.
O plano de Flávio é o desmonte
O candidato que herda esse legado não promete melhora. Promete reversão. A equipe de Flávio anunciou que pretende desvincular as despesas com saúde e educação dos mínimos constitucionais (18% da receita líquida de impostos para a educação) e corrigir os pisos apenas pela inflação. Não é congelamento: é a redução progressiva do investimento por aluno, enquanto a receita do governo cresce.
No ensino superior, o plano é explícito. No capítulo “Preparar para o Brasil que existe”, o texto diz: “No ensino superior, vamos transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, unificando ciência e ensino superior sob o mesmo teto”. A lógica é a mesma aventada no governo do pai: aproximar as universidades das empresas e priorizar o que eles chamam de “impacto produtivo”. Na verdade, é apenas a expressão da ideia mais pitoresca dos cursinhos on-line do falecido Olavo Carvalho, o obtuso polemista que a extrema direita tem por guru. Lá, ele afirma que as universidade públicas estão tomadas por comunistas, que formam gerações de ativistas de esquerda. Daí retirá-las da órbita do MEC. Fora isso, eles querem adotar o método fônico de alfabetização e o homeschooling. Nada disso é feito no mundo desenvolvido nem nos países que experimentaram a mudança de patamar sócio-econômico, como Coreia do Sul, Cingapura ou China.
A ‘meta’ de Flávio e a água
E a parte debochada da história é a única meta assertiva do plano. O candidato promete zerar até 2030 o número de escolas sem água. Hoje, 4% das 137 mil escolas públicas brasileiras não têm acesso à água potável, e a meta mais ousada de quem quer tirar o dinheiro da escola do mínimo constitucional é dar água de torneira para ela.
No dia 4, o eleitor escolhe entre o país que segura o jovem na escola e o projeto que trata educação como conta a cortar. A direita pode chamar os números de “não sei o quê”. Os jovens chamam de futuro — e vão às urnas para defendê-lo.
