Lula enfrenta clubes e bets para salvar o pobre

MP proíbe cassinos online e restringe a publicidade das bets

Por Redação
MP das BETs
Presidente Lula: "Se depender de mim, BET vai ser proibida no Brasil". Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina na próxima quarta-feira (23) uma Medida Provisória (MP) que proíbe os cassinos online e os jogos de azar, como o “Tigrinho”, e restringe a publicidade das apostas esportivas, as bets. A MP não acaba com as apostas esportivas, como chegou a ser alardeado, mas endurece o cerco contra a indústria que, segundo o presidente, arrecadou R$ 62 bilhões à custa do bolso dos trabalhadores.

A máquina de extrair o dinheiro do pobre

A pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises do Rio de Janeiro (IFec-RJ), com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio, escancara o alvo dessa máquina. Dos que apostam online, 36% têm renda de um a dois salários mínimos e 19,4% vivem com até um salário. É o pobre apostando na ilusão de escapar da pobreza. O diretor-executivo do instituto, João Gomes, resume: existe “uma falsa percepção dos apostadores de que o jogo representa uma forma de ganhar dinheiro rápido, complementar a renda ou até mesmo funcionar como investimento”.

O resultado é o endividamento. Dos apostadores, 42% admitiram que, depois de perder, voltaram a apostar para recuperar o prejuízo. O gasto anual de R$ 2,2 bilhões equivale a mais de três vezes a movimentação estimada para as compras de Natal. Dinheiro que deveria circular na economia vai parar no caixa dos donos das bets.

A balela dos cartolas

Diante da ofensiva do governo, federações de futebol e clubes lançaram o manifesto “O fim do futebol brasileiro”, chorando perdas de até R$ 1 bilhão em patrocínios. Lula não engoliu a chantagem. “O Brasil foi campeão do mundo em 1958 e não tinha bets”, rebateu, citando os títulos de 1962, 1970, 1994 e 2002. “Então esse negócio que acabar com as bets vai acabar com o futebol, é uma balela.”

O presidente expôs a lógica de classe por trás da defesa dos cartolas. “O jogo foi feito pra eles ganharem. Os times de futebol não podem querer que o pobre, que já gasta dinheiro pra ver o jogo, paga ônibus, paga metrô, ainda tenha que jogar pra agradar os times. Não, não e não.”

Para Lula, o vício em bets é uma doença, comparável ao crack. “Se depender da minha vontade, eu vou proibir as bets no Brasil”, afirmou em ato em Guarulhos. “A gente pode perder o imposto. O que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando.” Ao capital que lucra com a desgraça, o recado é direto: “quando um filho de Garanhuns da Dona Lidu compra briga, ele não para”.

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