Nikolas, o minério e o banqueiro: pedido a “Dani” podia matar milhares

Pedido do enfant terrible para "Dani" era liberar uma das minas mais perigosas do Brasil

Por Redação
Nikolas Ferreira mineração
Vídeo anedótico feito com IA pelo produtor especializado em deep fake Bruno Sartori. Imagem: Reprodução Instagram

Lembra do famoso áudio em que Nikolas Ferreira (PL-MG), o neofascista juvenil, chama Daniel Vorcaro de “Dani” — e não de “lindão”!!!, salientamos –? Pois bem, aquela mensagem tinha um objetivo: destravar um “ativo minerário” em Minas. O tom amistoso, quase flerte, com o banqueiro corrupto entrou para o anedotário nacional (veja vídeo abaixo). Mas aqui a gente volta os olhos para o resto da história. Para a mineração. E, acredite, aí é que a coisa fica feia.

O que Nikolas pediu candidamente a Vorcaro era ajuda para destravar um ativo de mineração que renderia milhões ao escritório do advogado que ele chama de irmão, Thiago Rodrigues de Faria, seu assessor jurídico. O problema: a lavra fica no distrito de Rodrigo Silva, em Ouro Preto, onde a Barragem de Água Fria, construída pelo método a montante, o mesmo de Mariana e Brumadinho, está entre as sete de maior risco de colapso do país. O MPF paralisou as operações por risco à população, e os 1.082 moradores do distrito convivem com o pavor de um rompimento. Os demais 73 mil habitantes de Ouro Preto estão a 21 quilômetros a jusante da barragem e não há garantia de que, depois de uma eventual ruptura, a tsunami de lama não chegaria até lá.

O contrato que esperava o destravamento

Em janeiro de 2025, dois meses antes do áudio de Nikolas a Vorcaro, o escritório de Thiago assinou com a GMAIS Ambiental um contrato de intermediação. A cláusula central: 25% do lucro de um negócio estimado em US$ 45 milhões. A ideia era obter a autorização para minerar numa lavra no distrito de Rodrigo Silva, perto de Ouro Preto, e depois vendê-la. A lavra é da Topázio Imperial e abriga a Barragem de Água Fria, construída pelo método a montante, o mesmo de Mariana e Brumadinho, e listada entre os barramentos de maior risco do país. Foi por isso que o MPF parou as atividades.

O histórico que desmonta o moralista

Não é a primeira vez que Nikolas se beneficia da mineração enquanto ataca adversários. Em novembro de 2024, ele denunciou a deputada Duda Salabert à Polícia Federal. O próprio assessor Thiago confirmou que elaborou a denúncia com informações de João Alberto Lages, preso na Operação Rejeito, que apura um esquema bilionário de fraude em licenças de mineração. Duda virou alvo do grupo por defender a Serra do Curral.

Em 2023, Nikolas e Jair Bolsonaro apoiaram a candidatura de Gilberto Horta de Carvalho à presidência do Crea-MG. A Polícia Federal o aponta como operador do esquema e “articulador interinstitucional da organização criminosa”. Foi com Gilberto que Thiago criou, em abril de 2024, o grupo de WhatsApp “Projeto Ferro” para discutir a transação da lavra.

A defesa que não explica nada

Seis meses depois do áudio, a Operação Rejeito prendeu 22 pessoas e bloqueou mais de R$ 1,5 bilhão. A GMAIS Ambiental, a empresa do contrato, apareceu como fachada, funcionando no endereço de uma clínica de estética em Belo Horizonte, com dois gestores ocultos: o delegado Rodrigo Teixeira e o consultor Gilberto Carvalho. Ambos presos.

Thiago diz que Nikolas “apenas forneceu o contato” de Vorcaro e que a negociação foi encerrada. Nikolas afirma não ter relação com o grupo. O moralista da Igreja da Lagoinha se curvou diante do dono do Master. A máscara caiu. E o que apareceu por baixo é corrupção, ambição e crime. A sabujice de Nikolas com Vorcaro poderia matar milhares de pessoas em Minas Gerais.

 

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