Dólar
R$ 5.13 Subiu
Euro
5.958 Subiu
Brasília
19°C 27°C 18°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

petróleo Amapá Margem Equatorial
O navio sonda que perfurou o fundo do mar na Foz do Amazonas. Foto: Petrobras
ECONOMIA

Descoberta no Amapá pode ser maior que o pré-sal

Margem Equatorial tem potencial de até 41 bilhões de barris

A Petrobras anunciou na sexta-feira (14) a descoberta de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, que integra a Margem Equatorial brasileira. O poço está a 175 quilômetros da costa do Amapá, sob uma lâmina d’água de 2.886 metros. A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse:

“Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”.

A descoberta ainda está em fase inicial. A perfuração continua. Não é possível determinar o tamanho da reserva nem a viabilidade econômica. Mas as estimativas são monumentais. O governo federal projeta potencial de até 41 bilhões de barris na Margem Equatorial. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima 6,2 bilhões de barris recuperáveis apenas na porção noroeste da Foz do Amazonas. Outras estimativas falam em até 30 bilhões de barris só nessa bacia.

A comparação com o pré-sal

O pré-sal, descoberto em 2006, responde hoje por 82% das reservas provadas do Brasil. O país produziu 1,38 bilhão de barris em 2025. Para cada 100 barris produzidos, 147 foram comprovados em reservas. O campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu a marca histórica de 4 bilhões de barris de óleo equivalente produzidos. A produção total do pré-sal é de cerca de 2 milhões de barris por dia. O petróleo se tornou a principal commodity exportada pelo Brasil, gerando mais de US$ 44 bilhões anuais em exportações em 2024 e 2025 — US$ 38 bilhões a mais do que em 2006, quando o pré-sal foi descoberto.

A Margem Equatorial pode ser o próximo pré-sal. Ou maior. As estimativas de 41 bilhões de barris superam as reservas provadas atuais da Petrobras. O pré-sal garantiu o abastecimento energético do país por duas décadas. A Margem Equatorial pode garantir por mais duas. Mas, se o pré-sal está no litoral do Sudeste, a nova fronteira está no Amapá — no Norte, na região mais carente do país, onde o desenvolvimento chegou por último.

A lição da Guiana

A bacia da Foz do Amazonas é vizinha geológica da bacia Guiana-Suriname, onde a ExxonMobil descobriu mais de 11 bilhões de barris de petróleo em 2015. O que aconteceu com a Guiana é o exemplo do que o petróleo pode fazer — e do que pode dar errado. A produção guianense passou de 120 mil barris por dia em 2019 para mais de 920 mil em 2025. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 43% em 2024. O crescimento médio foi de 41% nos últimos seis anos. O petróleo representa 75% do PIB. A Guiana, com menos de 800 mil habitantes, foi chamada de “Nova Dubai”.

Mas a riqueza não chegou a todos. Críticos falam em “maldição dos recursos”. A desigualdade persiste. Os royalties beneficiam poucos. A ExxonMobil lucra bilhões. O povo guianense continua pobre em sua maioria. A pergunta para o Brasil é: quem vai se beneficiar da Margem Equatorial? A Petrobras é pública. O petróleo é nosso. Mas a história mostra que sem controle social e soberania sobre a riqueza, o petróleo vira maldição. O pré-sal financiou educação, saúde e pesquisa. A Margem Equatorial pode fazer o mesmo. Ou pode repetir a Guiana.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57