Dólar
R$ 5.12 Subiu
Euro
5.910 Subiu
Brasília
25°C 29°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

Preço petróleo dispara Ormuz
Arte: FLIA
ECONOMIA

Duas bombas no preço dos combustíveis explodiram hoje

Diesel russo e barril de petróleo ameaçam Brasil

O mundo acordou em chamas nesta quarta-feira (8) e o Brasil está na linha de tiro. O preço do petróleo disparou mais de 6% após os Estados Unidos bombardearem o Irã e reabrirem a guerra no Estreito de Ormuz. O barril Brent, referência global, saltou para US$ 79,24 — o maior valor desde 17 de junho. Donald Trump declarou que o cessar-fogo com Teerã “acabou”. Ao mesmo tempo, a Rússia suspendeu a exportação de diesel até o fim do mês após ataques ucranianos destruírem refinarias. O Brasil, segundo maior importador de diesel russo do planeta, está no olho do furacão.

Isso importa porque essas duas crises convergentes batem direto no bolso do trabalhador brasileiro. O preço do barril dita o custo da gasolina, do diesel e do frete — que por sua vez determina o preço dos alimentos no prato da população. A guerra que parecia estar cada vez mais distante vai voltar às bombas de combustível do Brasil.

O contexto é de uma tempestade perfeita. No Oriente Médio, Trump rasgou a frágil trégua de junho e revogou a licença que permitia ao Irã vender petróleo. O nível de ameaça no Estreito de Ormuz foi elevado para “grave” pela Marinha americana — classificação máxima desde o início do conflito. Navios-tanques correm risco de explosão. O tráfego pelo estreito, por onde passam 20% do petróleo mundial, oscila entre um terço e um quinto dos níveis pré-guerra.

Alerta no diesel

Enquanto isso, a Rússia de Vladimir Putin impôs veto à exportação de diesel após a Ucrânia bombardear três refinarias em um único dia e paralisar a maior unidade de refino do país, em Omsk. A produção russa de derivados já havia caído 25% em junho. O problema é que 75% do diesel importado pelo Brasil em maio vinha da Rússia — combustível que atende cerca de 30% da demanda doméstica. O restante vem da Petrobras.

A ironia é cruel. Na exata semana em que o senador Flávio Bolsonaro estava em Washington implorando a Trump que não taxasse o Brasil, o próprio Trump declarava o fim do cessar-fogo com o Irã e jogava o preço do petróleo para o alto. A família que colocou o Brasil na mira comercial americana agora assiste, impotente, enquanto o governo que tanto admira destrói a estabilidade do mercado energético global. Eles foram pedir clemência a quem está ateando fogo no mundo.

A volta do socorro

A Petrobras já reduziu diesel e querosene nas últimas semanas, acompanhando a queda do barril. Mas essa janela de alívio pode se fechar a qualquer momento. Se a suspensão russa se estender além de 31 de julho e o petróleo continuar subindo com a escalada no Oriente Médio, a pressão sobre os preços internos será inevitável. O subsídio federal de R$ 0,35 sobre o diesel, que começou a ser retirado, pode precisar ser reativado.

A dependência brasileira do diesel russo é uma vulnerabilidade estratégica que não pode mais ser ignorada. O Brasil é o terceiro maior comprador do derivado russo, atrás apenas de China e Turquia. Quando Putin fecha a torneira, seja por guerra ou por cálculo político, o impacto é imediato. A soberania energética não é um slogan — é uma questão de segurança nacional.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57