A UnionPay International, maior rede de pagamentos da China, lançou na última quinta-feira (31/07) um programa piloto de interoperabilidade que conecta aplicativos chineses diretamente à rede Pix brasileira. Turistas e empresários chineses agora podem pagar compras em estabelecimentos brasileiros usando seus próprios aplicativos, escaneando QR Codes do Pix. A medida dispensa cartões internacionais, bandeiras americanas e dólar. É soberania monetária na prática.
Isso importa porque é o oposto exato do que os Bolsonaro estão fazendo. Enquanto Flávio Bolsonaro cruzava o Atlântico para implorar a Trump que não taxasse o Brasil — e oferecia entregar o PIX, o etanol e o mercado nacional em bandeja — o governo Lula estava costurando um acordo que fortalece o Pix, amplia o comércio bilateral e reduz a dependência do dólar. De um lado, submissão. Do outro, soberania.
O contexto é de uma integração que vem sendo construída com seriedade. O acordo entre o Banco Central do Brasil e o Banco Popular da China inclui a interligação de sistemas e um swap de moedas locais no valor de 190 bilhões de yuans — cerca de R$ 157 bilhões. Isso garante liquidez em moedas nacionais, reduz custos operacionais e elimina a necessidade de converter para dólar em cada transação. É a engenharia financeira da multipolaridade funcionando.
Os números falam por si. As transações com cartões chineses emitidos na China continental cresceram mais de 30% no Brasil no primeiro semestre de 2026. A isenção de vistos para cidadãos chineses, em vigor desde maio, acelerou o fluxo de turistas e empresários. O Pix, lançado em 2020 pelo Banco Central, já cobre cerca de 15 milhões de estabelecimentos comerciais no país. A rede UnionPay atende mais de 100 milhões de comerciantes fora da China continental. Quando essas duas infraestruturas se conectam, o resultado é um canal direto de comércio que passa ao largo do sistema financeiro americano.
A diferença de abordagem é gritante. Os EUA de Trump querem abrir “total, irrestrita e exclusivamente” setores inteiros da economia brasileira sem qualquer contrapartida. A China quer interligar sistemas de pagamento, facilitar o turismo e o comércio, e garantir liquidez em moedas locais. Um trata o Brasil como colônia. O outro trata como parceiro.
O Pix, que a extrema direita tentou entregar aos americanos no documento que Flávio levou ao USTR, sai fortalecido dessa integração. Quanto mais o sistema brasileiro se conecta a redes globais, mais indispensável ele se torna — e mais difícil é para qualquer potência estrangeira exigir seu desmonte.
A contradição central
Flávio Bolsonaro foi a Washington oferecer travar a internacionalização do Pix, favorecer Visa e Mastercard e abrir mão de tarifas sobre o etanol. No mesmo mês, o governo Lula conectou o Pix à rede UnionPay da China, ativou um swap de R$ 157 bilhões em moedas locais e reduziu a dependência do dólar no comércio bilateral. Entregar soberania ou construí-la — a escolha nunca foi tão clara.
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