Brasil apresenta plano de IA de R$ 23 bi na Índia

Lula quer conselho de países regulando Inteligência Artificial

Por Com informações da Agência GOV.BR
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial
Presidente Lula em Nova Deli. Aeroporto Internacional Indira Gandhi (DEL). Foto: Ricardo Stuckert/PR

NOVA DÉLHI – O Brasil subiu ao palco global nesta sexta-feira (20) para demarcar sua posição na corrida tecnológica do século XXI. Durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada na Índia, uma comitiva de ministros apresentou a visão estratégica do país para o setor, ancorada no recém-lançado Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Com um orçamento robusto de R$ 23 bilhões até 2028, a mensagem de Brasília foi clara: o país não aceitará ser apenas um mercado consumidor para as big techs, buscando autonomia, inclusão social e governança global.

A apresentação brasileira foi desenhada para mostrar unidade de Estado. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, abriu os trabalhos detalhando o PBIA. Segundo ela, o investimento bilionário tem como foco reter talentos e desenvolver infraestrutura própria, como supercomputadores (HPC), para evitar a fuga de cérebros. “A soberania digital é a capacidade do Brasil de entender, desenvolver e regular tecnologias essenciais para a sociedade e a democracia”, cravou a ministra.

A IA no cotidiano: do posto de saúde à sala de aula

A estratégia do governo foge da visão puramente comercial da tecnologia e tenta aplicá-la nas urgências do país. A ministra da Gestão, Esther Dweck, explicou que o foco nos serviços públicos é criar um “governo proativo”, utilizando assistentes inteligentes para facilitar a vida do cidadão, mas sempre com foco na mitigação de riscos e no uso responsável dos dados.

Na Educação, a diretriz é evitar que a tecnologia aprofunde o abismo social. O ministro Camilo Santana alertou que a IA só será válida se dialogar com a garantia de acesso e permanência dos alunos, da educação básica ao ensino superior. Já na Saúde, Alexandre Padilha destacou o potencial do Sistema Único de Saúde (SUS) como um laboratório em escala continental. Para ele, o Brasil tem o peso necessário para liderar a construção de um ambiente seguro e soberano na saúde digital para todo o Sul Global.

Para sustentar essa revolução, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, pontuou a necessidade urgente de expansão física: mais data centers, redes densas e capacidade de transmissão para incluir os milhões de brasileiros que ainda vivem no “escuro tecnológico”.

A geopolítica dos algoritmos

O encerramento do painel coube ao chanceler Mauro Vieira, que elevou o tom diplomático ao ecoar o discurso feito pelo presidente Lula no dia anterior. Vieira alertou para a “militarização do uso de dados” e a concentração de poder nas mãos de poucas corporações.

“A tecnologia por si só não é neutra. Seus impactos dependem das escolhas políticas que fizermos coletivamente”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, reforçando o apelo brasileiro por uma governança global da IA. A tese central do Itamaraty é que, sem regras claras e multilaterais, a inteligência artificial deixará de ser uma ferramenta de inovação para se tornar um instrumento de dominação geopolítica e econômica.

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