O número de brasileiros que passam dois anos ou mais à procura de trabalho despencou 21,7% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O contingente de pessoas nessa situação chegou a 1,089 milhão, o menor patamar da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. Em 2025, o país ainda tinha 1,4 milhão de pessoas nessa fila — e, no auge da pandemia de covid-19, em 2021, o número chegou a assustadores 3,5 milhões.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (14). A queda não se restringe à faixa mais longa. Entre os que procuram emprego há mais de um mês e menos de um ano, o recuo foi de 9,9%, com 3,380 milhões de pessoas; já na faixa de um a dois anos, a redução foi de 9%, para 718 mil. Em todas as faixas, o recorde negativo pertence a 2021, ano em que o negacionismo bolsonarista transformou o país num cemitério de oportunidades.
O mercado que virou a página
O analista da pesquisa, William Kratochwill, atribui a melhora à dinâmica do mercado de trabalho.
“As pessoas estão gastando menos tempo para se realocar. O mercado está mais dinâmico”, afirmou.
Ele descartou a hipótese de que a redução do desemprego longo seja explicada pelo desalento — quando a pessoa desiste de procurar porque acredita que não vai encontrar.
“A desistência é um ponto que já podemos descartar. O mercado de trabalho tem se mostrado persistente nas contratações”, completou.
O cenário é coerente com a taxa de desemprego de 6,1% registrada no primeiro trimestre, a menor da história. O Brasil também atingiu recordes de ocupação e de renda do trabalho, como o governo Lula não cansa de repetir — e os números confirmam. A única faixa que ainda não atingiu o piso histórico é a de menos de um mês de procura, com 1,4 milhão de pessoas, mas isso pode indicar justamente um mercado mais aquecido, com mais gente entrando na busca.
O lado de fora da carteira assinada
Apesar dos recordes, o analista do IBGE faz uma ressalva: “não necessariamente é melhora na qualidade do trabalho”. A Pnad aponta que o Brasil tinha 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria, o equivalente a 25,5% da população ocupada. Em 2012, eram 20,1 milhões. O dado indica que, embora o mercado esteja mais dinâmico, uma parcela significativa dos novos postos está na informalidade ou no empreendedorismo por necessidade.
Kratochwill pondera: “Eles tomam a iniciativa de ser seu próprio negócio”.
A Frente Livre reconhece o avanço, mas alerta: a batalha pela qualidade do emprego e pelos direitos trabalhistas segue em aberto, especialmente com o Centrão tentando sabotar qualquer avanço na regulação do trabalho por aplicativo e na proteção social dos autônomos.




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