O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta sexta-feira (20), que o país tenha uma reserva estratégica de combustíveis para reduzir a exposição a turbulências no mercado internacional e proteger os preços no mercado interno. A fala foi feita durante evento em Minas Gerais, no anúncio de investimentos da Petrobras na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim.
Lula relacionou a proposta ao cenário de instabilidade no Oriente Médio e ao risco de interrupção no fornecimento global de petróleo. “Eu falei para a Magda [Chambriard, presidente da Petrobras]: isso não é uma coisa rápida, é uma coisa que leva tempo, mas é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar”, disse.
Em seguida, reforçou a ideia de um estoque regulador:
“Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador, para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje. E se essa guerra durar 30 dias, durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz? E se os Estados Unidos resolverem estourar o Estreito de Ormuz, a crise vai ser pior”.
Na mesma agenda, Lula também criticou a privatização da BR Distribuidora, afirmando que a venda retirou do país um instrumento importante para conter a alta dos combustíveis. “Se a BR Distribuidora estivesse na nossa mão, haveria a garantia de que o preço da Petrobras chegaria na bomba, para o consumidor. O preço do etanol, da gasolina ou do diesel. Agora, ganha o distribuidor [privado] e o consumidor fica chupando o dedo”, disse.
Bolsonaro privatizou BR Distribuidora
Segundo o presidente, sem a venda da distribuidora, o governo teria mais condições de atuar sobre os preços. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou a crítica e chamou a privatização de “crime de lesa-pátria”.
“Se não fosse o crime de lesa-pátria da venda da BR Distribuidora, hoje teríamos condições de dar suprimento e adotar uma política de preços mais confortáveis”, afirmou.
Lula também contestou o argumento de que empresas públicas do setor energético não seriam rentáveis. “Se não fosse rentável, empresário algum ia comprar”, disse. Ao defender a necessidade de planejamento de longo prazo, comparou a proposta de estoque de combustíveis à reserva em moeda estrangeira que o país mantém para se proteger em crises.
“Graças a essa reserva que nós começamos a fazer a 2005, até hoje o Brasil enfrenta todas as crises mundiais sem se abalar. Nós temos muita verdinha [dólar] […], e eu não posso mexer na reserva porque ela garante a soberania desse país”, afirmou.
O anúncio de investimentos na Regap também foi usado como exemplo da estratégia do governo para ampliar a capacidade de refino. A Petrobras informou aporte de R$ 9 bilhões na unidade, que hoje opera com 98% da capacidade e deve aumentar a produção nos próximos anos.






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